EPSJV recebe exposição “Por um Brasil sem violência e impunidade”

Iniciativa contou com a atuação da professora-pesquisadora da Escola Politécnica, Vera Joana Bornstein, que faz parte da Plenária Anistia Rio
Julia Neves - EPSJV/Fiocruz | 15/09/2021 07h44 - Atualizado em 16/09/2021 13h45

A Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) recebe a partir do dia 20 de setembro a exposição “Por um Brasil sem violência e impunidade”. Nela, constará uma faixa bordada em comemoração aos 40 anos da Lei da Anistia, exposta no salão nobre da Câmara dos Deputados em 2019, além de um varal com bordados com frases e desenhos políticos que retratam a necessidade de reinterpretação da Lei da Anistia e cartazes explicativos, que fazem parte da Campanha ‘Reinterpreta já STF’. Exposta na escola por 15 dias, a iniciativa faz parte da Plenária Anistia, que reúne pessoas de vários segmentos, que estão na luta pela Anistia no Brasil desde a metade dos anos 1970, com a "Campanha Anistia Ampla, Geral e Irrestrita".

De acordo com Vera Vital Brasil, membro da Plenária e uma das responsáveis pela exposição, a violência da repressão se intensificou muito a partir do AI-5. “Foi o período mais tenebroso, onde se instalou o terrorismo de estado. Essa exposição foi criada para que possamos pensar, coletivamente, que o Brasil precisa lidar com sua história de violência de outra forma, não escondendo, nem mentindo e nem corroborando com ela”, enfatiza.

Para a professora-pesquisadora da EPSJV, Vera Joana Bornstein, também membro da Plenária e outra responsável pela exposição, no dia 28 de agosto de 2021, a Lei da Anistia completou 42 anos e é hora de refletir sobre ela, uma vez que, décadas depois, ainda permanecem impunes assassinos, torturadores e responsáveis por outros crimes imprescritíveis. “Se por um lado essa lei fez uma reparação para os presos políticos, por outro ela não anistiou todos que lutaram e, ao invés disso, anistiou torturadores. Isso é um equívoco. Essa lei precisa ser reinterpretada e essas pessoas têm que ser punidas”, afirma.

Vera Joana ressalta a importância de a EPSJV receber essa exposição por conta  da necessidade de contar um pouco dessa história para os jovens, que não viveram nesse cenário, mas que precisam ter acesso a essas informações. “É importante a gente trazer esse tema. Enquanto não se fizer justiça com o passado, a justiça com o futuro ficará prejudicada. Até a forma como se trata a população das favelas com tanta violência, a meu ver, tem relação com essa impunidade que houve no passado”, destaca.

Para Vera Vital Brasil, não se pode aceitar a impunidade dos agentes públicos que cometeram esses crimes. Segundo ela, os países vizinhos que também viveram terrorismo de estado, como a Argentina, o Chile e o Uruguai, conseguiram rever essas leis de impunidade para fazer justiça penal em relação a esses segmentos que estiveram implicados na repressão brutal que o Brasil viveu durante a Ditadura Civil-Militar. “Nós estamos lançando desde março de 2021, a campanha “Reinterpreta Já, STF”. Porque é preciso reinterpretar essa lei. Ela tem sido um fator de bloqueio para os crimes que foram cometidos no passado e que tem sido cometido no presente por agentes públicos. Portanto, precisamos encarar essa realidade que tem impedido a justiça nesse país”, disse. E completou: “Essa exposição tem um valor muito importante, pois leva aos estudantes uma experiência que eles não vivenciaram e talvez nem tenham pensado sobre a violência de agentes de estado sobre suas vidas”.

Arquivo pessoalO material apresentado na exposição foi bordado pelo Coletivo Linhas do Rio. Segundo a arquiteta Telinha Pimenta, que faz parte do grupo, o coletivo é “suprapartidário de esquerda que usa a arte de bordar como instrumento de luta por justiça e direitos humanos e contra a desigualdade social, o racismo, e o fascismo e todas as formas de dominação”. 

Sobre a exposição

Na faixa estão bordados textos sobre a Anistia lembrando os atos de tortura dos anos da Ditadura e, em defesa dos direitos humanos, o poema “Os Estatutos do Homem”, de Thiago de Mello. Outro material é um varal de bandeirinhas reproduzindo a gota de sangue da campanha pela reinterpretação da Lei da Anistia, a #reinterpretajáSTF. “Tortura, assassinato e desaparecimento forçado não podem ser anistiados por serem crimes de lesa-humanidade”, finaliza Telinha.

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