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censo escolar

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  • 13/03/2026 9h27 Entrevista

    Quem acompanhou a cobertura jornalística sobre o novo censo escolar certamente fixou uma informação: em apenas um ano, entre 2024 e 2025, o Brasil teria perdido 420 mil matrículas no Ensino Médio. A explicação viria pouco depois, com a resposta da Secretaria Estadual de São Paulo – maior rede do país – de que vinha duplicando o número de registros de alguns estudantes, em função dos diferentes itinerários formativos cursados junto com a Formação Geral Básica. Trata-se, de acordo com Fernando Cássio, professor da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador da Repu, a Rede Escola Pública e Universidade, de um exemplo concreto do efeito “caótico” que a primeira Reforma do Ensino Médio, instituída no governo Michel Temer, gerou na oferta e na gestão desse segmento educacional no Brasil. A boa notícia, segundo ele, é que, ao contrário do que o susto inicial sugeriu, o que nas tabelas do novo censo parecia uma volumosa perda de estudantes é, na verdade, um sinal de que os dados do censo voltaram a mostrar um retrato mais fiel da realidade do país. Mas, se a queda das matrículas foi um alarme falso, o que mais de relevante os dados mostraram sobre o cenário educacional brasileiro? Na avaliação do pesquisador, quase nada. Na verdade, o que ele considera que merece destaque está além dos números: uma mudança de metodologia adotada na edição deste ano, que resultou no desaparecimento – ou na invisibilização – do Ensino Médio Integrado à Educação Profissional, o modelo mais exitoso de educação pública do país, carro-chefe da experiência dos Institutos Federais. De fato, os dados sobre Educação Profissional de nível técnico referentes a 2025 juntaram numa única categoria, nomeada como “articulados”, a modalidade integrada (em que Ensino Médio e a Educação Profissional acontecem na mesma escola) e a concomitante (que se dá em escolas diferentes). Não por acaso, a mesma nomenclatura tem sido cada vez mais usada também nos marcos legais e regulatórios da área, como a recente Política Nacional de Educação Profissional e Tecnológica. “Não foi simplesmente uma decisão técnica”, diz Cássio, fazendo eco à preocupação de entidades como o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, Conif, e a Anped, Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, que emitiram notas públicas questionando a mudança.