redução de jornada
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05/03/2026 16h12 Entrevista
Antes de começar a ler esta entrevista, sugerimos que você faça um teste rápido. Abra a ferramenta de busca do google, digite as palavras “CNC + 6X1” e selecione a categoria ‘notícias’. Se o resultado for parecido com o que a reportagem do Portal EPSJV/Fiocruz encontrou (em 04/03), entre as referências mais recentes aparecerão reportagens do G1, Globo, jornal Valor Econômico, CNN Brasil, Correio Braziliense, revista Isto É, Band News e do portal Terra, entre vários outros. Se repetir a operação com as palavras “Fiemg + 6X1”, conteúdos (nesse caso, menos atuais) de vários desses grandes veículos jornalísticos voltarão a ser listados. Agora faça a mesma busca digitando “Cesit + 6X1” ou “Unicamp + 6X1” – com essas palavras-chave, provavelmente o mais próximo que você vai chegar de um conteúdo divulgado por um veículo jornalístico de grande porte é uma matéria publicada pelo portal UOL em 26 de fevereiro. Mas o que isso significa? As siglas são fáceis de desvendar: CNC é a Confederação Nacional do Comércio e Fiemg é a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, duas entidades empresariais que têm feito campanha aberta contra o fim da escala 6X1 – a organização da jornada em que os trabalhadores só têm uma folga semanal – que está em discussão no Congresso brasileiro neste exato momento, com forte apoio popular. Já o Cesit é o Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, da Unicamp, a Universidade Estadual de Campinas, uma das mais importantes instituições de pesquisa do país, que acaba de produzir um dossiê, recheado de dados, abordando diversos aspectos relativos ao fim da escala 6X1. Essa parcialidade na escolha das fontes possivelmente explica que quem acompanhou as manchetes, editoriais e outras notícias dos principais jornais do país nas últimas duas semanas tenha sido informado, por exemplo, de que os brasileiros trabalham menos do que a média mundial, de que a reforma trabalhista que acaba de elevar para até 12 horas diárias a jornada de trabalho na Argentina é um exemplo que o Brasil deveria ter seguido e de que, por aqui, o fim da escala 6X1 pode aumentar o desemprego, prejudicar o PIB, Produto Interno Bruto, e reduzir a renda da população. “Nossos estudos mostram exatamente o contrário”, diz Magda Biavaschi, desembargadora aposentada do TRT-4, o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, em Porto Alegre, doutora e pós-doutora em Economia Social do Trabalho, professora da pós-graduação do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisadora do Cesit. É com o objetivo de ‘furar’ o cerco da propaganda de boa parte da grande mídia que, nesta entrevista, ela desmonta o discurso alarmista de empresários e políticos de direita sobre o tema, ressalta a importância dessa pauta para um projeto de sociedade menos desigual e explica por que a luta em torno da jornada é “estrutural” na relação entre capital e trabalho.
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27/05/2025 11h33 Reportagem
Redução da jornada está relacionada ao aumento de produtividade e geração de empregos
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16/05/2022 13h40 Entrevista
Reverter a Reforma Trabalhista, denunciar os males da terceirização, minimizar os problemas da “uberização” do trabalho: a verdade é que a ‘vida’ do movimento sindical brasileiro não anda nada fácil, restrita, em grande medida, à necessidade de reagir às crescentes perdas de direitos. Num contexto em que lutar para conter os retrocessos parece, cada vez mais, o limite, vão ficando para trás, e caindo no esquecimento, reivindicações com potencial de pressionar por avanços reais – a exemplo da histórica demanda por redução da jornada de trabalho sem redução de salário. Num país em que mais da metade da força de trabalho vive na informalidade – e, portanto, nem tem o que se pode chamar de ‘jornada’ –, uma conquista como essa parece fora do horizonte. Mas, segundo Ana Cláudia Cardoso, que é assessora sindical e pesquisadora do Grupo de Trabalho Digital da Rede de Estudos e Monitoramento da Reforma Trabalhista, a experiência de outros países, assim como a intensificação do uso de tecnologias e o agravamento da crise econômica que a pandemia de Covid-19 trouxe, está recolocando esse debate em pauta. Ela estava na França – onde fez parte do doutorado e o pós-doutorado – quando o país reduziu a jornada semanal de trabalho para 35 horas. Cardoso também trabalhava no Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no período mais recente em que essa demanda foi colocada na mesa pelas centrais sindicais, entre 2003 e 2011. Nesta entrevista, ela defende a importância do “tempo livre”, explica que a redução da jornada de trabalho seria capaz de gerar milhões de empregos e garante que existem condições objetivas para isso.


