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agronegócio

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  • 27/02/2026 9h07 Entrevista

    Mobilizadas há mais de um mês, com ações que envolveram negociações com o governo federal, manifestações de rua e até ocupação de um porto da empresa Cargill, movimentos indígenas da Amazônia tiveram, no último dia 23 de fevereiro, sua primeira vitória: a revogação do decreto 12.600/2025, que incluía trechos dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização, com o objetivo de ampliar a rota de escoamento de grãos, principalmente soja e milho, para exportação. Tudo aconteceu num lugar distante das grandes cidades. Os ‘personagens’ principais são grupos de povos originários, que, em geral, não fazem parte da realidade urbana. Para piorar, a polêmica que virou notícia envolve a defesa de um rio que uma boa parte da população brasileira, concentrada no eixo Sul-Sudeste, nunca viu e talvez nem saiba onde fica. Por tudo isso, talvez a luta que as populações indígenas organizadas da Amazônia estão travando neste momento não pareça problema seu. É para desmistificar essa imagem, e encurtar a distância entre o que hoje acontece no Baixo Tapajós, e o que afeta as condições de vida e de saúde em todo o país, que o Portal EPSJV/Fiocruz convidou o pesquisador Allan de Campos para a entrevista desta semana. Afinal, como geógrafo, diz ele logo na primeira frase da conversa, sua tarefa é “pensar os diferentes lugares em relação”. Com isso Campos quer afirmar que a luta política que hoje se trava no Pará está longe de ser uma questão local ou uma pauta exclusiva de povos originários que, como parte do discurso midiático e mesmo governamental tem tentado caracterizar, estariam apenas se opondo ao desenvolvimento econômico do país em nome das suas tradições. Na verdade, argumenta o pesquisador – que também integra o Grupo Temático de Saúde e Meio Ambiente da Abrasco, a Associação Nacional de Saúde Coletiva –, a ameaça contra a qual os movimentos indígenas da Amazônia estão lutando neste momento está presente cotidiana e estruturalmente em muitas outras realidades do país: na piora das condições de saúde em várias regiões, com foco no estado do Mato Grosso, pelo uso intensivo de agrotóxicos; na especulação fundiária que redefiniu a ocupação do solo em parte do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia para criar a nova fronteira agrícola hoje conhecida como Matopiba; na ampliação da desigualdade social em vários territórios produtores de soja; e na comida cada vez menos saudável que chega ao prato da sua família todos os dias, ‘contaminada’ tanto pelo agrotóxico das plantações quanto pelo mercúrio revolvido dos rios. Por trás de tudo isso, incluindo as lutas atuais no Baixo Tapajós, segundo o pesquisador, encontra-se um mesmo processo: um modelo de produção de alimentos e de desenvolvimento “profundamente destrutivo”, que atende pelo nome de ‘agronegócio’. Nesta entrevista, Campos explica ainda o que significa transformar rios em hidrovias, reduzindo-os à concepção de uma infraestrutura logística, descreve o funcionamento da cadeia do agronegócio, analisa os interesses econômicos que estão em jogo, enfocando o papel do Estado nesse processo, e enumera estudos que há décadas mostram os efeitos desse modelo sobre a saúde da população.

  • 14/01/2025 11h08 Entrevista

    Inaugurando uma série de reportagens preparatórias para a COP30, Rob Wallace alerta que o modelo de produção de alimentos capitalista cria um terreno fértil para a evolução de microrganismos cada vez mais virulentos e letais

  • 16/09/2021 13h51 Acontece na EPSJV

    Com o objetivo de contribuir para a consolidação do conhecimento e das práticas de agroecologia no baixo e extremo sul do estado da Bahia, o curso formou 42 profissionais da educação básica que atuam nas escolas do campo da região

  • 06/05/2021 13h54 Reportagem

    Anúncio acendeu alerta nas organizações mobilizadas pela redução do uso desses venenos no país que consideram que iniciativa é antessala para aprovação do ‘Pacote do Veneno’ no Congresso ainda esse ano

  • 27/07/2018 12h01 Reportagem

    Mesa-redonda faz críticas ao modelo do agronegócio e aponta a agroecologia como um caminho alternativo e necessário

  • 29/06/2018 12h52 Reportagem

    Comissão da Câmara dos Deputados ignora pareceres contrários do Ministério Público Federal, de organizações da sociedade civil e de instituições de pesquisa como a Fiocruz e o Inca, e aprova projeto que facilita o registro de agrotóxicos no Brasil. O ‘pacote do veneno’ segue agora para o plenário da Câmara

  • 27/03/2018 16h21 Entrevista

    A cidade de Correntina, no oeste da Bahia, ganhou as manchetes dos jornais no final do ano passado, depois que mais de 10 mil pessoas – cerca de um terço da população do município – saíram às ruas para protestar contra o uso da água de rios para irrigação de grandes propriedades rurais da região. O protesto aconteceu nove dias depois que um grupo de mil pessoas ocupou uma fazenda, a Igarashi, que os moradores acusam de ser responsável pela queda na vazão de rios da região, principalmente o Arrojado e o Correntina. Segundo as comunidades ribeirinhas e de fundo de pasto, a fazenda vem extraindo muito mais água do que permitem as outorgas concedidas pelo órgão ambiental baiano, o Inema, para irrigação de culturas extensivas como soja, café e algodão. Os moradores acusam o Inema de falta de fiscalização sobre a extração de água da região, que vem gerando conflitos com as comunidades da área. A maneira como a ocupação foi retratada pela mídia e por políticos da região, que acusaram de “vândalos” e “terroristas” os trabalhadores que participaram da ação na Fazenda Igarashi, foi o estopim para o ato que tomou as ruas da cidade. Nesta entrevista, realizada durante o Fórum Alternativo Mundial da Água, que aconteceu de 17 a 22 de março em Brasília, a moradora de Correntina e militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) Andreia Neiva, fala sobre os conflitos pela água na região, que segundo ela vêm de longa data, e envolvem, como em muitas outras fronteiras de expansão do agronegócio no país, grilagem de terras, assassinatos de lideranças camponesas e ribeirinhas e o desrespeito aos territórios de populações tradicionais.

  • 11/07/2017 17h56 Reportagem

    Comunidades visitadas pela Caravana Agroecológica do Semiárido Baiano dão exemplo de organização e mostram que é possível produzir alimentos saudáveis sem agredir o meio ambiente

  • 02/01/2017 15h08 Reportagem

    De “última fronteira agrícola do país” a projeto abortado pelo governo por falta de verbas, Matopiba segue nos planos dos investidores, continua sendo um desafio para povos e comunidades tradicionais e uma ameaça para o cerrado

  • 07/02/2013 9h45 Entrevista

    Em entrevista à EPSJV/Fiocruz, professor do Programa de Pós Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural da Universidade de Brasília (UnB) e relator do Direito Humano à Terra, ao Território e à Alimentação (Plataforma DhESCA Brasil), Sérgio Sauer avalia o avanço do governo de Dilma Rousseff em relação à reforma agrária como pífio e defende que a violência sofrida por militantes de movimentos sociais ligados à reforma agrária é originada por dois principais motivos: a concentração de terra e a impunidade.