precarização do trabalho
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30/04/2026 13h53 Entrevista
O objetivo original desta entrevista era fechar, com a fala de um pesquisador, a sequência de outras duas conversas (já publicadas) com lideranças de entidades de entregadores por aplicativos sobre a regulação do trabalho por plataformas. E, de fato, o leitor interessado nesse tema encontrará, no texto abaixo, importantes contribuições sobre as condições de trabalho dessa categoria, suas prioridades de luta e os riscos que uma legislação orientada pelos interesses das plataformas digitais pode trazer para muitos outros profissionais. Mas a verdade é que, além de mostrar que esse debate afeta o conjunto da classe trabalhadora, a profundidade e a abrangência das análises foram fazendo com que, aos poucos, a conversa se transformasse num grande balanço das crises contemporâneas – assim mesmo, no plural –, que passou pela discussão do papel da esquerda política e da mobilização social e se tornou um legítimo ‘manifesto’ sobre a importância do mundo trabalho para a transformação de um cenário aqui definido como uma “era de trevas”. Foi assim que, ao final, esta entrevista com o professor e pesquisador da Unicamp Ricardo Antunes se conformou também como uma justa homenagem aos trabalhadores na semana em que se comemora mais um 1º de Maio. “A ideia de que o capitalismo pode eternizar uma dominação não tem nenhum sentido”, garante.
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30/04/2026 13h28 Entrevista
Quando a mobilização contra um Projeto de Lei que propunha regular o trabalho por plataforma sem atender às demandas dos trabalhadores tomou as ruas do país, semanas atrás, eram várias as entidades representativas da categoria à frente das manifestações. Unidas nos protestos e na recusa ao texto do PLP 152/2025, elas, no entanto, guardam entre si também um conjunto de discordâncias: sobre a posição do governo federal em relação ao tema, as prioridades da luta neste momento e os próximos passos depois de terem derrotado uma proposta com data marcada para ser votada e aprovada. Dando continuidade à série de entrevistas sobre o tema, nesta semana o Portal EPSJV conversou com outra liderança dos entregadores, Renato Assad, da Organização Nacional dos Trabalhadores sobre Duas Rodas (ONTDR), que analisa as propostas que estão ‘na mesa’ neste momento, caracteriza a situação desses trabalhadores como uma verdadeira “escravidão moderna”, acusa as plataformas digitais de pressionarem para manter tudo como está e defende um trabalho de conscientização para convencer os entregadores sobre a importância de lutarem pelo reconhecimento do vínculo empregatício com as empresas.
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24/10/2025 11h11 Entrevista
Em 2024, o Brasil tinha 1,65 milhão de pessoas que desenvolviam, como atividade principal, um trabalho realizado por plataformas. Dessas, a maior parte (878 mil) eram motoristas de aplicativos de passageiros, como uber e 99, seguidos pelos entregadores de comida e outros produtos, que somavam 485 mil. Diante do tamanho do mercado de trabalho brasileiro, esses números não parecem alarmantes, ao contrário: representam apenas 1,9% da população ocupada, sem considerar os servidores públicos e militares. O crescimento, no entanto, é significativo: em apenas dois anos, o volume desses trabalhadores aumentou em 25%. Os dados são do módulo sobre ‘Trabalho por meio de Plataformas Digitais’ da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, divulgado na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do segundo estudo que o IBGE faz sobre essa realidade, que tem introduzido novidades e desafios para as políticas públicas relativas ao mundo do trabalho no país e no mundo. Nesta entrevista, o pesquisador do Cesit, o Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, da Unicamp, conta que, a partir de agora, esse mapeamento será feito todos os anos, permitindo que se acompanhe mais de perto a evolução desse tipo de trabalho e as características e condições de vida de quem tem nele o seu principal meio de sustento. Tal como no retrato anterior, a maior concentração de trabalhadores por plataformas continua se dando em serviços de motoristas de passageiros e entrega por aplicativo – no setor de transporte, armazenagem e correios, o trabalho por plataformas corresponde a 22% dos ocupados no país. Mas a grande novidade é que o maior crescimento (de mais de 52%) se deu nas plataformas de prestação de serviços gerais ou profissionais, que podem envolver atividades diversas, como saúde, educação e serviço doméstico. Embora não acredite que a plataformização vá ‘tomar conta’ do mercado de trabalho brasileiro, Dari Krein chama atenção para a tendência de que essas novas relações de trabalho se espalhem para outras áreas e profissões. Em contrapartida, o menor crescimento (8,9%) se deu entre os entregadores, o ‘elo’ mais fraco e desprotegido desse novo cenário de plataformização. Apesar de ter havido uma pequena queda na jornada dos trabalhadores plataformizados, a pesquisa mostra que eles ainda trabalham, em média, 5,5 horas a mais que os outros. Isso, aliás, ajuda a explicar que eles tenham, também em média, uma remuneração um pouco maior do que a dos trabalhadores não plataformizados – e vale ainda ressaltar que essa diferença se reduziu de 2022 para cá. Como destaca Dari Krein nesta entrevista, embora a busca por uma remuneração maior seja um dos principais atrativos para quem decide ingressar no mercado de trabalho por plataformas, essa superioridade ‘salarial’ não é real: em primeiro lugar, porque ela esconde a falta de direitos trabalhistas, como férias remuneradas e décimo terceiro salário; segundo, porque não leva em conta os custos que os trabalhadores têm com a manutenção dos veículos, celular e internet, entre outros; terceiro, porque refere-se a uma carga horária muito maior – não por acaso, a pesquisa do IBGE mostra que, quando se observa a remuneração por hora, a relação se inverte e os trabalhadores não plataformizados voltam a ganhar mais do que aqueles que atuam por aplicativos. O mais importante, na avaliação do professor da Unicamp – instituição que foi parceira do IBGE junto com o Ministério Público do Trabalho na pesquisa que acaba de ser divulgada – é compreender em que tipo de mercado de trabalho essas novas relações plataformizadas se instalam e se expandem. Como mostra o estudo, o maior ganho proporcional de remuneração que se tem no trabalho plataformizado se dá entre os segmentos com menos instrução formal, que, portanto, costumam ocupar postos mais precarizados e com salários mais baixos no mercado em geral. De acordo com o mapeamento, trabalhadores que têm apenas ensino fundamental completo ou ensino médio incompleto ganham, em média, R$ 907 a mais no trabalho por aplicativos do que nas ocupações que conseguiriam fora das plataformas. Entre os que não têm instrução ou não completaram o ensino fundamental, essa diferença é de R$ 802. Para os que têm ensino médio completo ou mesmo o ensino superior incompleto, o trabalho por plataforma oferece, em média, apenas R$ 355 a mais. E a ‘prova’ de que o trabalho por plataformas tem sido um refúgio para quem quer fugir de um mercado muito precarizado é que quando se considera o contingente da população que concluiu a graduação, a relação se inverte: nesse recorte, são os trabalhadores não plataformizados que ganham, em média, mais de R$ 1.800 a mais que os plataformizados. Como resume Dari Krein: “O que alguns não admitem é que esse tipo de atividade pegou porque o mercado de trabalho é muito ruim, os salários são muito baixos, as condições de trabalho são muito draconianas, a jornada é muito extensa”.
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09/11/2022 11h39 Reportagem
Pesquisadores analisam o fenômeno do crescimento das demissões voluntárias em meio à pandemia no Brasil e em países como Estados Unidos
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- precarização do trabalho
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29/06/2022 15h20 Entrevista
Nesta entrevista, a procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT) Andrea Gondim fala sobre o Programa Nacional de Prestação de Serviço Civil Voluntário, criado por uma lei sancionada no dia 15 de junho. O programa estava em vigor desde o final de janeiro, quando o governo federal publicou a medida provisória 1.099/22, reeditando o programa que constava de uma outra medida provisória que havia sido rejeitada pelo Congresso em 2021, a MP 1.045/21. O texto, aprovado no Congresso no final de maio, prevê que jovens de 18 a 29 anos e pessoas com mais de 50 anos que estejam há mais de 24 meses fora do mercado de trabalho sejam contratados com menos direitos por gestores municipais e do Distrito Federal. De acordo com o texto, esses trabalhadores podem ser contratados pelo serviço público para execução de “atividades de interesse público” em uma jornada de no máximo 22 horas semanais, que deve ser complementada por cursos de qualificação profissional que serão oferecidos pelo Sistema S. A remuneração se dará por meio de bolsas, com valor proporcional ao número de horas trabalhadas, tendo como referência o salário mínimo. O programa vinha sendo alvo de críticas de centrais sindicais e entidades como o MPT, que vinha denunciando sua inconstitucionalidade. “A pretexto de auxiliar na inclusão produtiva ele precariza direitos de uma parcela da população que já convive com a dificuldade de permanecer ou reingressar no mercado de trabalho”, alerta Gondim.
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- precarização do trabalho
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29/04/2022 13h08 Reportagem
Áreas vêm sendo cobiçadas por empresas nos moldes da Uber, que vêm crescendo de forma acelerada no país. Especialistas alertam para a falta de regulação sobre a modalidade e cobram maior proteção aos trabalhadores que prestam serviços através das plataformas
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12/11/2021 13h52 Reportagem
Pedido de exoneração de servidores do Inep lança dúvidas sobre a realização do Enem, do Censo Escolar e sobre o cálculo do Fundeb, entre outras iniciativas. Para analistas, situação resulta da implementação de uma agenda de precarização do serviço público em nível federal
- Tópicos:
- educação,
- precarização do trabalho
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27/08/2021 10h09 Reportagem
Sob o pretexto de recriar o programa de redução de jornada e salários instituído durante a pandemia, a MP 1.045, que tramita no Senado, traz medidas que, segundo especialistas, aprofundam a Reforma Trabalhista de 2017, afetando especialmente os mais jovens
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29/03/2021 10h49 Reportagem
Especialistas apontam que, apesar de a entrada no mercado de trabalho sempre ter sido um desafio nessa faixa etária, as oportunidades estão cada dia mais precarizadas
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14/10/2020 12h46 Reportagem
Analistas alertam para a falta de regulamentação sobre modalidade de trabalho que ganhou impulso com a pandemia, e temem que sua ampliação represente perda de direitos para os trabalhadores








