O Conselho Deliberativo da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio manifesta seu mais veemente repúdio aos casos de violência sexual envolvendo uma jovem de 17 anos ocorrido em 31 de janeiro, em Copacabana, e uma idosa em um ônibus no dia 22 de fevereiro. São violações bárbaras que ferem não apenas as vítimas e suas famílias, mas toda a sociedade.
Vivemos um cenário alarmante de violações aos corpos femininos, que atingem meninas, jovens, mulheres adultas e idosas. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública lançado em 2025, ocorreram 87.545 casos de estupro em 2024, o que contabiliza uma média de 239 casos de estupro por dia, sendo que 87,7 % dessas vítimas eram mulheres, 55,6% eram negras e 61,3% com idade entre 0 a 13 anos. O mesmo estudo indica que 1.475 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2024, maior número registrado desde a promulgação da lei 13.104/15, que qualificou o homicídio motivado por violência de gênero como feminicídio, além de ter reconhecido essa violência como fenômeno estrutural. Esses dados demostram que, por dia, 4 mulheres morrem por feminicídio no Brasil. Aproximadamente 2/3 dessas mulheres eram negras, reafirmando a maior vulnerabilização dessas mulheres, resultado de desigualdades raciais e socioeconômicas.
Essa triste realidade revela a persistência de uma cultura patriarcal, racista, misógina e de submissão feminina que naturaliza violências e silencia vítimas, ocultando a sua determinação histórica e social. Em especial, o envolvimento de jovens como autores de violência contra a mulher constitui demonstração inequívoca de que os processos que desumanizam as mulheres e autorizam a violação de seus corpos seguem fortalecidos, seja no não reconhecimento do assassinato de mulheres como feminicídio, seja na absolvição de culpados, na omissão das autoridades na proteção das mulheres, ou no silenciamento da sociedade diante de uma realidade que não deveria ser tolerada, muito menos naturalizada.
A escola tem papel fundamental na formação de seus estudantes para a transformação da realidade social. Educar é enfrentar desigualdades, questionar toda forma de opressão e promover o respeito incondicional à dignidade humana. Reafirmamos nosso compromisso com uma educação que combata toda forma de racismo, machismo, misoginia, violência de gênero, e exploração, contribuindo para a construção de uma sociedade baseada na igualdade, na justiça social e no respeito.
Reafirmamos também que, em nossa Escola, não será admitida nenhuma situação de violência, assédio ou qualquer prática que viole a integridade física, moral ou psicológica de nossas estudantes e trabalhadoras.
Basta de violência contra as mulheres! Nos queremos vivas e seguras! Feminicídio zero!