Entrevista

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  • 18/08/2017 14h52 Entrevista

    A ascensão da extrema-direita no cenário político mundial vem causando preocupação já há algum tempo. Mas os acontecimentos do último sábado (13), em Charlottesville, alçaram o problema a um novo patamar. No que vem sendo considerada a maior manifestação de grupos de ódio das últimas décadas nos Estados Unidos, milhares de pessoas, entre elas integrantes da Ku Klux Klan e grupos neonazistas, marcharam pelas ruas da pequena cidade do estado americano da Virgínia, para protestar contra a remoção, a mando da prefeitura, de uma estátua do general Robert E. Lee, símbolo dos Confederados, que durante a Guerra Civil americana lutaram pela permanência da escravidão no país. Entoando slogans racistas e xenófobos, os manifestantes entraram em conflito com grupos que foram à Charlottesville para protestar contra a marcha racista. O saldo foram três pessoas mortas, sendo dois policiais e uma ativista de 32 anos chamada Heather Heyer, atropelada por um jovem branco que, depois de preso, revelou-se ser simpatizante do nazismo. A professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Tatiana Poggi, realizou parte da pesquisa para sua tese de doutorado — sobre o fenômeno da ascensão de grupos fascistas nos Estados Unidos— na Universidade da Virgínia, em Charlottesville. Nesta entrevista, ela fala sobre a responsabilidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na escalada das manifestações de cunho racista e xenófobo hoje, mas ressalta que a ascensão da extrema-direita no país é um processo que vem se dando ao longo dos últimos 40 anos. O empobrecimento causado pelas sucessivas crises de acumulação capitalista ao longo do período, aliado à implantação da agenda neoliberal, que aprofundou a desigualdade social em escala global, é um fator central para compreender a adesão de setores da população a movimentos de cunho fascista, que pregam a violência contra imigrantes, judeus, negros e homossexuais.

  • 14/07/2017 15h09 Entrevista

    Fechamento de clínicas, demissão de funcionários, precarização das condições de trabalho e do atendimento à população: esse é o cenário atual da rede federal de saúde. Os seis hospitais e três institutos federais localizados no Rio de Janeiro, que abrigam centros de referência nacional para diversos procedimentos de alta complexidade no SUS, enfrentam hoje os efeitos de uma crise que se agudizou a partir do aumento da demanda por atendimento em função da crise financeira do estado, que atingiu os serviços de saúde. Contribui para esse cenário o anúncio, feito pelo Ministério da Saúde no final de junho, de um plano de reestruturação da rede federal. O plano, que segundo o ministro Ricardo Barros visa melhorar a gestão dos recursos aplicados na rede por meio de uma “especialização” de cada unidade na área em que mais atende, conta com a consultoria de uma instituição privada, o Hospital Sírio-Libanês, contratado através do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS). Entretanto, para os integrantes da Frente em Defesa dos Hospitais e Institutos Federais do Rio de Janeiro, criada no último dia 10 e julho e composta pelo movimento sindical, parlamentares, movimentos sociais e entidades de classe, entre outros, a reestruturação deve significar o sucateamento da rede e a imposição de uma lógica empresarial na gestão dos hospitais e institutos federais. Nesta entrevista, Cintia Teixeira, da CSP-Conlutas e integrante do Comando de Mobilização da Saúde Federal, que compõe a Frente, explica por que, ao contrário do que vem defendendo o governo federal, o plano de reestruturação da rede federal deve piorar ainda mais a qualidade do atendimento prestado pelos serviços públicos de saúde no Rio de Janeiro e trazer prejuízos ao SUS de uma forma geral.

  • 12/07/2017 9h50 Entrevista

    Denúncias envolvendo os principais nomes da República, um pacote econômico de reformas em andamento e uma mobilização popular abaixo da gravidade da situação. Nesta entrevista, o cientista político Luis Felipe Miguel, professor da Universidade de Brasília, analisa o movimento das instituições e forças políticas no contexto da crise política. Ele aponta uma brutal regressão na democracia, denuncia a morte dos mecanismos de controle entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e defende que somente eleições diretas podem relegitimar o sistema político brasileiro.

  • 07/07/2017 16h42 Entrevista

    A decisão é inédita. Na última quinta-feira (06), o Conselho Nacional de Saúde reprovou as contas do Ministério da Saúde em 2016. Foram 29 votos contrários e oito favoráveis. O parecer que levou tantos conselheiros a levantarem as mãos pela rejeição foi feito pela Comissão de Orçamento e Financiamento (Cofin). Nessa entrevista, o economista e consultor da Cofin, Francisco Funcia, explica os problemas principais encontrados pela Comissão no Relatório Anual de Gestão (RAG) do ano passado que levaram à rejeição

  • 29/06/2017 9h41 Entrevista

    Hoje será fundado o Movimento Educação Democrática. A iniciativa é um desdobramento do 'Professores contra o Escola sem Partido', criado há dois anos para combater o crescente conservadorismo nas políticas educacionais.O professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF), Fernando Penna, tem sido, nos últimos anos, um dos principais porta-vozes do movimento Professores contra o Escola sem Partido. Criado com o objetivo de se contrapor ao movimento cujas ideias ganharam notoriedade em meio a uma crise de representatividade que tem entre seus principais alvos os partidos políticos, o Professores contra o Escola sem Partido tem sido presença certa em debates, seminários e audiências públicas para debater e alertar sobre a ameaça representada pelas propostas do Escola sem Partido. Mas o contexto hoje é outro. O que antes eram ameaças de retrocessos ganharam concretude, principalmente após o impeachment da presidente Dilma Rousseff. A reforma do ensino médio, sancionada em fevereiro deste ano e originalmente apresentada pelo governo Michel Temer como uma medida provisória, talvez seja o maior exemplo disso. Foi pensando na necessidade de ampliação do escopo de atuação e da pauta do movimento originalmente criado para se contrapor ao Escola sem Partido que foi lançado, no final de junho, o Movimento Educação Democrática. Nesta entrevista, Fernando Penna fala sobre as principais ameaças ao que entende como educação democrática hoje no país, faz um balanço da atuação do movimento encabeçado por ele na luta contra o avanço das pautas conservadoras na educação e defende a necessidade de uma atuação mais propositiva dos grupos que defendem uma concepção democrática de educação.

  • 21/06/2017 13h49 Entrevista

    A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado rejeitou na terça-feira (20/06), por dez votos a nove, o projeto de reforma trabalhista apoiado pelo governo de Michel Temer. Relatado pelo senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), o projeto havia sido aprovado no dia 6 de junho na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) sem sofrer alterações em relação ao texto aprovado pela Câmara em abril. Após a rejeição, o senador Paulo Paim (PT-RS) foi designado relator da matéria na comissão, que votou e aprovou o parecer apresentado pelo senador gaúcho: um voto em separado (espécie de relatório alternativo) que pede a rejeição do projeto na íntegra. O parecer chancelado pela CAS será agora anexado ao relatório aprovado na CAE e encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O relator da matéria na CCJ, Romero Jucá (PMDB-RR) leu nesta quarta-feira (21/06) o seu relatório, que resgata, sem alterações, o texto do senador Ricardo Ferraço que foi rejeitado na última comissão. A votação na CCJ está marcada para o dia 28 de junho. Em seguida, os três relatórios serão encaminhados para os senadores para votação em Plenário. Ainda que não represente nenhuma garantia de derrota do projeto, a rejeição pela CAS foi muito comemorada por senadores da oposição, que a interpretaram como um sinal do enfraquecimento do apoio parlamentar ao governo Michel Temer e às reformas defendidas por ele. Nesta entrevista, o senador Paulo Paim fala sobre a importância da decisão da CAS e sobre os próximos passos da mobilização para tentar barrar a reforma trabalhista.

  • 14/06/2017 11h38 Entrevista

    O presidente Michel Temer regulamentou na semana passada o Acordo de Paris, que estabelece metas de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa. O gesto, que foi interpretado como uma tentativa de buscar apoio em meio à crise política que ameaça seu governo, veio poucos dias após o anúncio, pelo presidente Donald Trump, da retirada dos Estados Unidos do Acordo, firmado em 2015 durante a Cúpula do Clima de Paris, a COP 21. O doutor em Ciências Atmosféricas e professor da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Alexandre Costa, fala, nesta entrevista, sobre o significado geopolítico da saída dos Estados Unidos, segundo maior emissor mundial de gases de efeito estufa, do Acordo de Paris, e também sobre o que significa sua regulamentação pelo governo brasileiro. Segundo ele, ao que tudo indica o gesto deve ser apenas simbólico, uma vez que uma das principais bases de sustentação do governo Temer é a bancada ruralista, que vem se mobilizando para garantir a aprovação, no Congresso Nacional, de inúmeros projetos que flexibilizam a legislação ambiental brasileira. De acordo com Alexandre, o avanço da agenda da bancada que representa os interesses do agronegócio no Congresso significa retrocessos para o combate ao desmatamento, a principal causa de emissão de gases de efeito estufa no Brasil. O professor da UECE fala também sobre as limitações do Acordo de Paris, que ele considera insuficiente, e sobre a resistência da indústria dos combustíveis fósseis ao avanço das medidas de combate ao aquecimento global.

  • 09/06/2017 14h17 Entrevista

    A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou, na terça-feira (6/06), o projeto de reforma trabalhista, por 14 votos a 11. O texto não sofreu nenhuma modificação em relação ao Projeto de Lei aprovado na Câmara dos Deputados no final de abril (PLC) 38/2017. O relator da matéria na CAE, senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), rejeitou todas as 242 emendas apresentadas pelos senadores da comissão, sob a justificativa de que isso significaria ter que remeter o texto novamente à Câmara. Em seu relatório, no entanto, o senador recomendou o veto, pelo presidente da República, de alguns pontos do projeto que ele mesmo considerou que precisam ser mais bem debatidos. O projeto segue agora para a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) para em seguida ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, antes de ir a plenário. Para o coordenador nacional de Combate às Fraudes nas Relações de Trabalho do Ministério Público do Trabalho (Conafret/MPT), Paulo Joarês, é improvável que o projeto sofra alteração no Senado. Para ele, a discussão nas comissões vem se dando apenas como uma forma de dar uma “aparência democrática” à tramitação de um projeto de interesse das grandes entidades empresariais que dão sustentação ao governo. Nesta entrevista, ele denuncia manobras que impediram o debate sobre o texto e explica como aspectos da reforma trabalhista, como a prevalência do negociado sobre o legislado nos acordos coletivos, a autorização para a terceirização sem limites e as restrições que ela coloca para o acesso de trabalhadores à Justiça do Trabalho apontam para um cenário de perda de direitos e precarização das relações de trabalho no país.

  • 02/06/2017 9h45 Entrevista

    Apontada como uma alternativa para democratizar o acesso à educação, a modalidade de Educação a Distância (EaD) - que foi objeto de um decreto do presidente Temer publicado no dia 26 de maio e alterado logo depois - também apresenta contradições que precisam ser debatidas. Nesta entrevista, a professora-pesquisadora da EPSJV e especialista em Tecnologias Educacionais, Elizabeth Leher, fala sobre diversas questões que envolvem o tema e aponta os desafios que precisam ser superados para que seja ofertada uma EaD de qualidade.

  • 29/05/2017 13h50 Entrevista

    Falar dos retrocessos nos direitos dos povos indígenas no Brasil de hoje é falar de um assunto que ganha novas dimensões a todo instante, com tanta rapidez, que após a entrevista ter sido feita, foi necessário um novo contato com a entrevistada à luz de novos acontecimentos que não só afetaram de modo brutal essas populações, mas também colocaram em foco a relevância de várias das bandeiras e denúncias levantadas pelos movimentos indígenas. No dia 30 de abril, a violência tomava o centro da agenda, por meio da divulgação do ataque sofrido pelos índios Gamela no Maranhão, em que homens portando armas de fogo e facões deixaram 13 índios feridos – sendo que dois tiveram as mãos decepadas e cinco foram baleados – no episódio mais recente de uma disputa que envolve territórios reivindicados pelos índios, grandes proprietários de terra e um poder público inoperante (e, por vezes, conivente). Três dias depois, a divulgação do relatório da CPI da Funai e do Incra trouxe à baila a ameaça representada pela bancada ruralista no Congresso aos direitos territoriais dos povos indígenas. No relatório, o deputado federal Nilson Leitão (PSDB-MT) pediu o indiciamento de lideranças, antropólogos e membros de organizações de defesa dos povos indígenas por supostas fraudes em processos de demarcação de terras. No dia 5 de maio, foi a vez da denúncia do processo de desmonte da Funai ganhar relevo, depois que o presidente do órgão, Antonio Costa, foi exonerado do cargo alegando que sua demissão foi motivada por uma resistência em aceitar indicações de aliados políticos para o preenchimento de cargos no órgão indigenista. Nesta entrevista, Sonia Guajajara, da coordenação executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), fala sobre a luta diária dos indígenas para garantir seus direitos em uma conjuntura tão adversa e alerta: nada é tão ruim que não possa piorar.