EPSJV cria Centro de Estudos da Pós-Graduação em Educação Profissional em Saúde

Iniciativa vai promover encontros virtuais para a reflexão coletiva de temas que permitam o aprofundamento das análises construídas pela comunidade escolar
Julia Neves - EPSJV/Fiocruz | 14/07/2020 11h34 - Atualizado em 14/07/2020 13h08

A pandemia da Covid-19 tem gerado muitas inquietações, incertezas e, consequentemente, sofrimentos para toda a sociedade. Diante desse contexto e da necessidade de uma reflexão coletiva de temas relacionados à complexa produção da vida na contemporaneidade e suas implicações econômicas, epistemológicas, políticas, históricas e pedagógicas, a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) criou o Centro de Estudos da Pós-Graduação em Educação Profissional em Saúde. A proposta de criação desse espaço de troca de conhecimento entre docentes e discentes, aberto à comunidade escolar, surgiu no último seminário da pós-graduação, no início do ano letivo de 2020.

Segundo a professora-pesquisadora e coordenadora do Programa de Pós-graduação da EPSJV, Marcela Pronko, o Centro de Estudos foi pensado como uma maneira de favorecer e permitir um contato mais estreito nesse processo de produção de conhecimento entre professores e estudantes, para que a interação possa ir além da sala de aula e do processo de orientação. “É um ambiente de socialização de experiências e reflexões, de realização de debates e de colocar para o grande público o nosso processo de produção de conhecimento para que ele possa ser construído junto à comunidade”, ressalta.

Para Marcela, a pandemia colocou de maneira mais incisiva a necessidade de interlocução, de debate e de um processo coletivo na construção do conhecimento mediados pelas tecnologias. Para o primeiro evento do Centro de Estudos, a Escola convidou a escritora e psicanalista Maria Rita Kehl para uma live no dia 15 de julho, com o tema ‘Experiências, afetos e possibilidades de reinvenção da vida diante da pandemia’.  A ideia é que sejam realizados encontros virtuais mensais pelo canal da EPSJV no Youtube.

Segundo a professora-pesquisadora da EPSJV, Grasiele Nespoli, que participa da construção do Centro de Estudos junto com as professoras-pesquisadoras, Letícia Batista e Mônica Vieira, o tema da primeira live surgiu a partir da demanda de reflexão sobre o tema da saúde mental, por parte de estudantes e professores do mestrado e de outras pessoas sensíveis ao que estamos vivendo. “Para além de uma análise que aborde o mal estar na atualidade, expressado por meio de depressões, tristezas e angústias, achamos importante abrir uma reflexão sobre o lugar desses e de outros afetos na reinvenção da vida, o que significa abordar a dimensão política dos afetos”, destaca.

Mônica afirma que, desde o início do Programa de Pós-graduação da EPSJV, os professores-pesquisadores sempre estiveram atentos à importância de momentos de reflexão coletiva que pudessem acolher e aprofundar debates iniciados em sala de aula e demarcar de forma mais sistematizada a produção dos saberes em determinados campos associados à relação Trabalho, Educação e Saúde. “O Centro de Estudos surge como uma proposta mais institucionalizada e passa a fazer parte do calendário acadêmico. É fruto da vontade coletiva da comunidade da pós-graduação associada a movimentos mais recentes, de seminários mais frequentes da pós e de eventos que os discentes passaram a organizar e que hoje fazem parte da vida na Escola Politécnica. O Centro é da pós-graduação, mas é também da Escola Politécnica, dos alunos do ensino médio, da Rede de Escolas Técnicas do SUS e da educação profissional em saúde”, garante Mônica.

Para Letícia, a expectativa é que o Centro de Estudos possa ser um espaço de reafirmação da discussão com base científica, analítica e crítica dos temas do escopo da escola e também dos assuntos relacionados aos interesses e questões trazidos pelos nossos alunos do mestrado profissional. “Esperamos que possa ser um espaço de intercâmbio dentro da instituição, ou seja, entre os alunos, o corpo docente e toda a Escola; e que seja também uma possibilidade de intercâmbio para além da instituição, a partir de debates que possam ser construídos com outros pesquisadores, de outras instituições, que reforcem uma perspectiva crítica e histórica da realidade”, conclui.

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