EPSJV promove ciclo de debates sobre movimentos sociais

Roda de conversa sobre ‘Movimento Negro, Feminista e LGBT’ deu início à série de encontros com alunos do quarto ano do Ensino Médio
Julia Neves - EPSJV/Fiocruz | 09/05/2018 12h54 - Atualizado em 09/05/2018 12h55

Com o tema ‘Movimento Negro, Feminista e LGBT’, a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) promoveu, no dia 7 de maio, o primeiro dos três debates sobre movimentos sociais com as turmas do 4º Ano do Ensino Médio, das habilitações técnicas de Análises Clínicas e Gerência em Saúde. Coordenado pelo professor-pesquisador da EPJSV, Marcelo Coutinho, com o apoio da professora-pesquisadora, Suellen Araújo, o ciclo de debates visa propiciar um diálogo horizontal e uma troca efetiva entre os estudantes e representantes dos movimentos sociais participantes. “Utilizamos muito esse formato de aula mais participativa, que favorece uma reflexão mais coletiva e dinâmica. É importante fazer com que os estudantes percebam que os militantes de movimentos sociais são pessoas que, a partir de uma tomada de consciência, se engajaram na luta social e isso também pode acontecer com eles”, destacou Coutinho.

Segundo Coutinho, as rodas de conversa são a culminância de uma proposta pedagógica da disciplina de Sociologia, iniciada em 2017. “A partir daí, discuti com as turmas as perspectivas sociológicas dos movimentos tradicionais e dos novos movimentos sociais, com destaque para o marco fundamental de Maio de 68 e as chamadas Jornadas de Junho de 2013”, afirmou. Após debates nas salas de aula, as turmas fizeram questões para os representantes dos movimentos sociais discutirem nas rodas de conversas.

No debate, Lilian Barbosa, do Coletivo de Negras e Negros do Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destacou ações de resistência que o grupo realiza. “Minha área de militância é gênero, raça, classe e direitos humanos. No coletivo, fazemos reuniões frequentes para discutir diversos temas como esses. A luta que nós travamos é para sobrevivermos aqui fora. Nosso desafio é tentar firmar essas pautas para o debate na sociedade”, ressaltou Lilian.

Segundo ela, o capitalismo está em uma crise sistêmica de captura da subjetividade e que mercantiliza tudo, “inclusive mercantiliza a vida”. Lilian afirmou que a sociedade sofre com o racismo estrutural e conjuntural e citou o caso de Rafael Braga, um catador de lixo reconhecido como único condenado em circunstância relacionada aos protestos no Brasil em 2013. “Vivemos uma conjuntura na qual Rafael Braga – preto, pobre, sem estudo – continua preso. Porque temos um sistema jurídico elitizado, com classe e cor, beneficiando uns em detrimento de outros. Hoje ter o encarceramento em massa de corpos negros é rentável para o capital. Assim como é rentável para o capital que negros continuem morrendo”, lamentou.

Outro convidado, Gabriel de Queiroz contou um pouco da experiência do grupo de defesa pessoal para Mulheres e LGBT ‘Piranhas Team’. O objetivo do coletivo, dedicado ao treinamento de Krav Maga, é que seus integrantes aprendam a se defender em situações de perigo, além de ocupar e trazer diversidade a um espaço de prática de artes marciais. “O Brasil é o país que mais mata LGTB no mundo. Pessoas LGBTs e mulheres morrem todos os dias apenas por serem quem são. A gente precisa aprender a se defender”, destaca Gabriel, que explica o nome do coletivo: “Piranhas sim, pela liberdade, pela igualdade, pelo empoderamento e pelo respeito a todos os corpos. A gente resolveu resignificar um termo que antigamente era visto como pejorativo. Além disso, somos um time. Piranhas agem em cardumes, investem na colaboração, tem senso de comunidade. Quando uma piranha agride o seu agressor ou sua presa, todas as piranhas vão juntas. E é isso que fazemos para nos defender”.

Ciclo de debates

O ciclo de debates terá ainda rodas de conversa com os temas “Movimento de Saúde”, no dia 14 de maio, e ‘Movimento Estudantil, MST e Movimento de Favelas’, no dia 21 de maio.

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