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EPSJV promove primeiro encontro do Ciclo de Webinários sobre iniciação científica e formação técnica em saúde na América Latina

Evento reuniu pesquisadores e profissionais da Rede Ibero-Americana de Educação de Técnicos em Saúde para discutir a formação de jovens na área da saúde e o papel da educação científica
Julia Neves - EPSJV/Fiocruz | 19/05/2026 12h00 - Atualizado em 26/05/2026 14h03

A Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) realizou, no dia 15 de maio, o primeiro encontro do “Ciclo de Webinários 2026-2028 - Iniciação Científica de Jovens na Educação Básica e na Formação de Técnicos em Saúde na América Latina”. A iniciativa busca promover o diálogo entre pesquisadores e profissionais que atuam na formação de jovens e técnicos em saúde nos países integrantes da Rede Ibero-Americana de Educação de Técnicos em Saúde (Riets) e faz parte das atividades previstas no Plano de Trabalho 2026-2028 da EPSJV como Centro Colaborador da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde para a Educação de Técnicos em Saúde.

O ciclo tem como objetivo contribuir para a construção de um panorama sobre a profissionalização de jovens na área da saúde em diferentes países latino-americanos, além de refletir sobre o papel da educação em ciências na qualificação de trabalhadores técnicos em saúde e disseminar experiências e práticas desenvolvidas nesse campo.

Primeiro encontro

Durante o primeiro encontro, as discussões abordaram as possíveis contribuições dos programas de vocação científica para a formação em saúde. A atividade ocorreu em um momento simbólico para a Escola Politécnica, que celebra os 40 anos do Programa de Vocação Científica (Provoc) da Fiocruz, iniciativa pioneira no Brasil voltada à iniciação científica de estudantes do ensino médio.

Criado pela EPSJV, o Provoc tornou-se referência nacional na promoção da iniciação científica entre jovens, inspirando experiências semelhantes em diferentes instituições de pesquisa e ensino no país. Ao longo de quatro décadas, o programa vem fortalecendo a aproximação entre educação básica, ciência e saúde, contribuindo para a formação crítica e científica de estudantes. 

Na abertura, o coordenador do Laboratório de Iniciação Científica na Educação Básica (Lic-Provoc), Jefferson Almeida, e o coordenador da Cooperação Internacional da EPSJV, Carlos Batistella, deram as boas-vindas e explicaram a dinâmica do encontro.

Em seguida, aconteceu uma apresentação da professora-pesquisadora Cristiane Braga, que coordena o Provoc na EPSJV. Ela contou que o programa é oferecido desde 1986, articulando institutos de pesquisa científica da Fiocruz com instituições educacionais, promovendo a iniciação científica de estudantes do ensino médio. “Nosso objetivo é introduzir os jovens estudantes ao ambiente de produção científica para a observação e o desenvolvimento de práticas científicas próprias de diferentes campos do conhecimento, incluindo o estudo e o debate de bibliografia de referência e a participação em eventos científicos para a apresentação e o diálogo sobre a produção científica”, destacou.

O que o Provoc busca, segundo a coordenadora, é despertar nos jovens o interesse pela pesquisa científica, entendendo a crítica de que muitos deles não seguirão a carreira de cientistas e pesquisadores. “Partimos do princípio de que o jovem não pode escolher o que não conhece. Então, precisamos dar acesso a iniciativas como essa para que, a partir dessa experimentação, eles possam ter possibilidade de sonhar em seguir a área ou não”, comentou, citando mais outros três objetivos do programa: “Dar oportunidade de os estudantes desenvolverem um trabalho científico, integrando a teoria e a prática; contribuir para que eles façam escolhas profissionais mais conscientes e, assim, também contribuir para um processo de formação integral”.

Em sua fala, Cristiane apontou que cerca de 3.500 estudantes já participaram da iniciativa desde sua criação. Ela destacou que, em 2024, o último relatório institucional apontou a incorporação de 807 trabalhadores à carreira de pesquisa na Fiocruz. “Desde 2022, com o avanço do processo de nacionalização do Provoc, temos registrado a entrada de aproximadamente 140 estudantes por ano na Etapa de Iniciação e outros 80 na Etapa Avançada”, afirmou.

Cristiane também ressaltou a diversidade de áreas do conhecimento envolvidas nas pesquisas desenvolvidas pela Fiocruz. Segundo ela, em 2023, a instituição contava com 30 áreas de pesquisa, articuladas a 323 linhas de investigação e cerca de mil projetos em andamento. Atualmente, a Fiocruz possui 16 unidades técnico-científicas voltadas para pesquisa, ensino, inovação, assistência e desenvolvimento tecnológico em saúde. Além das unidades localizadas no Rio de Janeiro, a instituição mantém presença nas cinco regiões do país, com atuação em 11 estados brasileiros. A coordenadora lembrou ainda que, desde 2022, o Provoc passou a atuar em rede nacional, por meio da Rede Provoc Luiz Fernando Rocha Ferreira da Silva. “Hoje, a Rede Provoc reúne unidades de pesquisa da Fiocruz em dez estados brasileiros e articula parcerias com 30 instituições educacionais, principalmente escolas da educação básica, além de organizações sociais voltadas à educação situadas em territórios próximos ao campus da Fiocruz no Rio de Janeiro”, explicou.

Expansão do Provoc

Em seguida, a professora-pesquisadora da EPSJV, Rosa Neves, apresentou a difusão do modelo do Provoc para outras instituições. De acordo com ela, no final da década de 1990, o modelo foi expandido para as unidades da Fiocruz nos estados de Minas Gerais, Pernambuco e Bahia. “Nesse mesmo período, o modelo foi apropriado por instituições de pesquisa em áreas do conhecimento além da saúde, no Rio de Janeiro, como o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, o Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e o Instituto de Matemática Pura e Aplicada”, contou. 

Por serem conveniados e parceiros do Provoc, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro e o Colégio Pedro II, em parceria com o Museu Nacional, se apropriaram do modelo e criam programas de iniciação científica para estudantes das suas escolas. A mesma dinâmica aconteceu com a Universidade Federal de Minas Gerais. “Além disso, o Provoc foi referência para a primeira política científica voltada a jovens do Ensino Médio que adotou a iniciação científica como estratégia de aproximação dos estudantes ao processo de produção científica: o Programa Jovens Talentos, desenvolvido pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio de Janeiro, com participação de estudantes do Ensino Médio e da Educação Profissional”, completou.

Rosa lembrou ainda que, em 2003, foi criada a modalidade de fomento “Iniciação Científica Júnior”, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico — órgão federal responsável pela centralização dos investimentos em Ciência e Tecnologia no Brasil, o que segundo ela, contribuiu para a expansão nacional da iniciação científica voltada a estudantes do Ensino Médio. “E com isso também teve a criação de outros programas direcionados ao mesmo público, denominados de iniciação científica, mas com diferentes formas de aproximação dos estudantes da educação básica com as ciências, principalmente por meio de olimpíadas e feiras científicas”, afirmou a professora-pesquisadora, completando que em 2010, houve a criação do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica no Ensino Médio (PIBIC-EM), orientado por um conceito de iniciação científica semelhante ao do Provoc. 

Por fim, o professor-pesquisador da Escola Politécnica, Claudio Gomes, retomou o objetivo central do encontro: discutir a possibilidade de o modelo de iniciação científica do Provoc inspirar experiências voltadas à formação de técnicos em saúde nos países integrantes da Riets. “Diante do que foi apresentado anteriormente, gostaríamos de conhecer a opinião dos representantes sobre uma possível relação positiva entre a proposta e a dinâmica do Provoc e a formação de técnicos em saúde em seus países. Quais seriam os interesses, as possibilidades e os desafios para a adaptação do modelo Provoc à formação de técnicos em saúde em seus países ou, de forma mais ampla, na América Latina?”, questionou, abrindo o debate com alguns integrantes da Riets. Em seguida, concluiu a discussão destacando que a iniciação científica para técnicos em saúde também envolve uma reflexão mais ampla sobre os referenciais científicos adotados: “A pergunta e a justificativa sobre fazer iniciação científica para os técnicos também passam pela pergunta e pela resposta sobre a qual ciência nós estamos nos referenciando”.

Assista ao evento completo em https://www.youtube.com/watch?v=w93DrzZHmUA&t=1002s

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