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EPSJV realiza cerimônia de encerramento de curso de formação de agentes populares de segurança alimentar

Iniciativa, realizada em parceria com o Fórum Estadual de Cozinhas Solidárias do Rio de Janeiro, busca fortalecer a atuação comunitária no enfrentamento à fome e na promoção da soberania alimentar nos territórios
Julia Neves - EPSJV/Fiocruz | 05/11/2026 09h30 - Atualizado em 05/11/2026 10h00

A Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) promoveu, no dia 29 de outubro, a cerimônia de encerramento do Curso de Desenvolvimento Profissional “Formação de Agentes Populares Promotores de Segurança e Soberania Alimentar no Contexto das Cozinhas Solidárias”. A iniciativa é realizada em parceria com o Fórum Estadual de Cozinhas Solidárias do Rio de Janeiro e busca fortalecer ações populares de enfrentamento à insegurança alimentar nos territórios. 

A programação contou com um momento de acolhimento, abertura musical com o tema “Cozinhas de Matriz Africana”, mesa de saudação institucional, entrega de certificados e apresentação teatral. “Essa formação celebra o conhecimento construído coletivamente, a valorização dos saberes populares e o compromisso de tantas pessoas que atuam diariamente nos territórios para enfrentar a fome e promover alimentação adequada e saudável. As cozinhas solidárias são esses espaços que representam acolhimento, a partilha, a mobilização e a resistência", destacou o professor-pesquisador da EPSJV, Samuel Monteiro, na abertura do evento.

Para Daniela Lopes, uma das coordenadoras do curso e representante do Fórum Estadual de Cozinhas Solidárias do Rio de Janeiro, as cozinhas são muito mais do que espaços de distribuição de alimentos. “Somos espaços de mobilização popular, política, de construção de direitos e fortalecimento dos territórios e da democracia. Durante muito tempo, nossos territórios eram objetos de pesquisas feitas por outras pessoas. Porém, nós, com nossos saberes reconhecidos também por essa escola, estamos ocupando esse lugar de pesquisadores, de quem vive e constrói esse território”, ressaltou.

Edilene Menezes, professora-pesquisadora da EPSJV e integrante da Coordenação Político-Pedagógica (CPP) do curso, destacou as visitas técnicas realizadas ao longo da formação, entre elas a uma cozinha comunitária em Mesquita (RJ), na Baixada Fluminense. Assim como Daniela, ela também acredita que esses espaços vão muito além do enfrentamento à fome. “Quando falta comida na nossa casa, todos os direitos já foram perdidos. Nas rodas de conversa que aconteciam ali, reunir as pessoas não era só pelo enfrentamento à fome, é muito além, é falar do resgate da cidadania, da dignidade, da importância das políticas públicas. É um centro de trocas, de cooperação, que fomenta a cultura”, afirmou.

Em sua fala, Flávio Paixão, coordenador-geral do Ensino Técnico da EPSJV, destacou a importância de reconhecer a potência das cozinhas solidárias sem naturalizar a sobrecarga de quem atua nesses espaços nem a ausência do poder público. “A solidariedade não substitui a responsabilidade do Estado. O nosso horizonte é que ninguém precise de ajuda para exercer o direito de se alimentar”, afirmou. Flávio também ressaltou que na EPSJV, a formação técnica e formação política caminham juntas. “Cuidar da qualidade dos alimentos é fundamental, assim como compreender o território, fortalecer a agroecologia, valorizar o trabalho e participar das decisões sobre políticas públicas. É nesse sentido que reconhecemos vocês fundamentalmente como agentes populares, pessoas capazes de disseminar conhecimento, mobilizar suas comunidades e territórios e transformar experiências em propostas concretas de ação”, concluiu.

Mariana Conceição, coordenadora-geral adjunta de Educação (Lato Sensu) da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC) da Fiocruz, destacou o conceito ampliado de saúde e a importância das cozinhas solidárias e da formação promovida pela instituição. “Saúde não é só bem-estar, é falar de dignidade, de solidariedade. A cozinha solidária é um exemplo disso e, por isso, é um grande orgulho para nós, da Fiocruz, podermos ter esse curso aqui. O território da Fiocruz é da população. Essa instituição é da sociedade e precisamos fazer o que a sociedade necessita”, afirmou.

Participando remotamente, Lilian dos Santos Rahal, secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, agradeceu à Fiocruz pela realização do curso e destacou a importância da atuação da Fundação para o reconhecimento das cozinhas solidárias. Ela também ressaltou a sensibilidade da instituição em acolher e valorizar as experiências da sociedade civil. "Contribuindo para a construção coletiva não apenas do programa, mas também de oportunidades de formação para quem está na ponta, nos territórios e no cotidiano das cozinhas solidárias, fortalecendo sua atuação como agentes populares", finalizou. Lilian estava acompanhada de Ana Carolina Silva e Souza e Rafael Toitio, coordenadora-geral e coordenador de Formação do Programa Cozinhas Solidárias, respectivamente.

O evento contou ainda com uma apresentação teatral dos formandos e uma segunda mesa com a participação de outros coordenadores do curso que, em seguida, realizaram a entrega dos certificados. 

Formação

Com carga horária de 188 horas, o curso de Desenvolvimento Profissional “Formação de Agentes Populares Promotores de Segurança e Soberania Alimentar no Contexto das Cozinhas Solidárias” reuniu participantes ligados a cozinhas solidárias e iniciativas comunitárias voltadas à segurança alimentar no estado do Rio de Janeiro. 

O curso tem como objetivo formar agentes populares capazes de atuar na promoção da soberania e da segurança alimentar, compreendendo as cozinhas solidárias como tecnologias sociais de mobilização popular e incidência política. Entre os objetivos específicos estão o fortalecimento das redes comunitárias, o desenvolvimento de práticas de educação popular, a promoção da agroecologia e a construção de estratégias coletivas de geração de trabalho e renda. 

A formação é organizada em quatro módulos temáticos: soberania e segurança alimentar; cultura alimentar e alimentação saudável; cozinhas solidárias para além do prato; e estratégias e experiências das cozinhas solidárias. Também conta com um eixo transversal voltado ao trabalho de campo, com diagnóstico territorial, visitas técnicas, oficinas e sistematização das experiências desenvolvidas pelos educandos. 

A metodologia do curso é fundamentada nos princípios da educação popular, da pedagogia do território e da pesquisa-ação, articulando conhecimentos acadêmicos, técnicos e saberes populares construídos nas comunidades. 

Assista ao evento completo aqui: https://www.youtube.com/watch?v=hkFAiGylzQ0

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