Carteirinha de estudante digital ameaça a autonomia de entidades estudantis

O Ministério da Educação lançou na segunda-feira, dia 25 de novembro, o aplicativo de celular para a emissão da carteirinha estudantil digital. Com ele, os estudantes poderão fazer o cadastro gratuito do ID Estudantil e terão direito ao benefício de meia-entrada em shows, teatro e outros eventos culturais.

Tudo começou em setembro, quando o MEC anunciou a criação do SEB, o Sistema Educacional Brasileiro. Trata-se de um banco de dados que deverá conter informações dos estudantes de todo o país. A proposta, regulamentada em outubro, tem a criação da carteirinha como um dos seus objetivos . Todas as instituições de ensino deverão enviar para o governo federal o número do CPF de cada estudante, entre outros dados. Dessa forma, o  Sistema pretende ser a base que comprova quem é estudante no país.

Para ter acesso ao ID Estudantil é necessário baixar o aplicativo e seguir alguns passos do cadastro. Em eventos com meia-entrada, a identificação do estudante será feita por meio da leitura de um QR Code emitido na tela do aplicativo.

No entanto, apesar de se apresentar como uma alternativa prática e sem custo, a iniciativa rompe com um modelo padronizado de emissão gerido por meio de entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).

Com o ID Estudantil do MEC, os estudantes passam a ter a opção de emitir uma carteirinha digital gratuita. Já os alunos que quiserem manter a carteirinha tradicional emitida pelas entidades estudantis poderão solicitá-las às instituições e pagar o valor pedido.

Para Gabryel Henrici, secretário Geral da UNE e estudante de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a iniciativa representa a tentativa de acabar com a autonomia financeira das entidades estudantis.

Rodrigo Henrique Caldeira da Rocha, aluno do terceiro ano do ensino médio da habilitação em biotecnologia na Escola Politécnica e integrante da diretoria da Associação dos Estudantes secundaristas do Estado do Rio de Janeiro (Aerj), afirma que sem os recursos provenientes da emissão das carteirinhas o movimento estudantil no estado fica engessado. De acordo com ele, pautas importantes como a luta pelo passe livre, serão prejudicadas.

Por: Ana Paula Evangelista

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