Alunos do Curso Técnico em ACS apresentam trabalhos de conclusão

TCC tiveram como temas saúde da pessoa idosa e as atribuições dos ACS, entre outros. A formatura do curso acontece no dia 18 de julho
Julia Neves - EPSJV/Fiocruz | 10/07/2018 11h11 - Atualizado em 10/07/2018 11h36

Os alunos do Curso Técnico em Agente Comunitário de Saúde (CTACS) da Escola Politécnica Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) apresentaram no dia 4 de julho os trabalhos de conclusão de curso. A turma, composta por 30 estudantes de oito municípios do estado do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Belford Roxo, São João de Meriti, Magé, Mesquita, Nova Iguaçu e São Gonçalo -, foi dividida em grupos que debateram temas variados como as atribuições dos agentes de saúde e saúde da pessoa idosa. A formatura do CTACS acontece no dia 18 de julho, no auditório do Museu da Vida/Fiocruz.

Antes das apresentações, a professora-pesquisadora da EPSJV, Mariana Nogueira, uma das coordenadoras do curso, destacou a importância da turma formada por moradores da Baixada Fluminense, região que concentra baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), baixa cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF) e altos índices de desigualdade social. “No estado do Rio de Janeiro, temos previsão de cobertura de Saúde da Família de cerca de 50%, enquanto a maioria dos municípios da Baixada não tem nem 30% de cobertura. Portanto, estar com vocês representa o enfrentamento da desigualdade. É abrir a Escola para a Baixada entrar, em tempos difíceis de golpe e com um Ministério da Saúde que está o tempo inteiro colocando em questão o trabalho do ACS e o nosso curso técnico”, ressaltou.

Carlos Maurício Barreto, vice-diretor de Ensino e Informação da EPSJV, falou dos ataques que os ACS têm sofrido em relação à formação desses profissionais. Usou como exemplo a Medida Provisória 827/2018, publicada em 19 de abril, que altera a Lei nº 11.350, de 5 de outubro de 2006, quanto às atribuições dos Agentes de Saúde, que retirou qualquer referência à formação técnica, mencionando apenas os cursos de aperfeiçoamento. “Nós acreditamos que o trabalho de formação é indispensável para o processo de contraposição à violência, à exclusão e ao desrespeito que temos recebido de diversas partes”, disse.

Estudo e intervenção

‘A (des) valorização do Agente Comunitário de Saúde do Município de Magé: um estudo sobre como se sentem em relação ao seu trabalho’ foi um dos trabalhos apresentados. Através de entrevista com agentes de saúde, o grupo destacou como resultados preliminares que a categoria se sente desvalorizada profissionalmente por diferentes fatores, como a remuneração precária, a falta de materiais para trabalhar e carência de oferta de cursos. “A garantia do direito à formação profissional do curso técnico em ACS poderia contribuir para essa valorização profissional”, afirmou a aluna do curso Luciana Agostinho, que lamentou: “A desvalorização começa no próprio Ministério da Saúde, quando criam leis que descaracterizam totalmente a nossa profissão”.

Outro grupo tratou da saúde da pessoa idosa com o projeto ‘Reflexões dos ACS sobre as possibilidades de transformações na forma de assistência à saúde do idoso na Atenção Básica’. Na pesquisa, os alunos analisaram as atividades oferecidas nas unidades da Zona Oeste do Rio de Janeiro e nos municípios de São Gonçalo e Magé, e destacaram que esses dois últimos municípios são os únicos estudados que têm atividades específicas para a pessoa idosa. Em Magé, por exemplo, o grupo citou o Centro Integrado de Atenção à Saúde do Idoso (Caisi), que conta com técnicas de plantio, oficinas de insumo da horta e aproveitamento dos alimentos e plantas medicinais. Segundo os estudantes, as vantagens de idosos participarem dessas e de outras atividades, como academias ao ar livre, é a oportunidade de conhecerem pessoas e socializarem, mantendo-se ativos e motivados. Porém, o grupo alertou para a falta de atividades que envolvam apenas pessoas idosas, pois, de acordo com a pesquisa, um grupo heterogênio pode deixar os idosos constrangidos perante a população mais jovem.

No trabalho ‘Problemas que causam sofrimento e condições de trabalho que adoecem os ACS da Baixada Fluminense’, os alunos investigaram e elencaram os motivos que produzem sofrimento e adoecimento ao ACS. Na pesquisa, o grupo entrevistou 28 agentes de saúde que atuam em seis municípios da Baixada Fluminense – Nova Iguaçu, Belford Roxo, Duque de Caxias, Magé, Mesquita e São João de Meriti. Entre as principais situações que causam sofrimento, foram sinalizadas as agressões verbais de usuários e gestores e o assédio moral. Entre as doenças comuns entre os ACS, o grupo destacou problemas de coluna, hipertensão, infecção urinária e varizes, entre outros.  “Os profissionais atribuíram as causas desses problemas de saúde ao desrespeito à sua autonomia e seus direitos, às condições precárias de trabalho, à falta de valorização profissional e ao desvio de função”, concluiu a aluna Ailana Scandian.

Durante a Mostra, também foram apresentados os documentários ‘A implantação da Estratégia de Saúde da Família e seus impactos na vida da população do lixão de Jardim Gramacho’ e ‘Atribuições e valorização dos ACS: uma pesquisa elaborada por estudantes do Curso técnico em ACS da EPSJV/Fiocruz’, além de uma peça, encenada pelas próprias alunas, com o tema ‘Tuberculose multirresistente: conhecer, ultrapassar barreiras e quebrar tabus’.

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