EPSJV realiza 'Fórum Arquivos e Arquivos' em parceria com a Casa de Oswaldo Cruz

Evento abordou temas como ciência aberta e a diferença entre dados e informação
Julia Neves - EPSJV/Fiocruz | 14/11/2017 11h48 - Atualizado em 14/11/2017 11h49

Gestão arquivística de Dados Científicos foi o tema do X Fórum Arquivos e Arquivos, realizado no dia 30 de outubro, pela Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) e a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz). De acordo com José Mauro da Conceição, pesquisador da EPSJV, a saúde vive um momento de grande produção de dados, chamado de Bigdata, e boa parte desses dados precisa ser gerenciada pelo olhar dos arquivos. “A Fiocruz se preocupa com a produção e a preservação de seus documentos e arquivos desde a década de 1990, mas o cenário atual traz novas preocupações para a instituição. É preciso pensar na contribuição que a arquivística pode dar nesse momento no qual cresce a defesa de uma ciência aberta”, afirmou José Mauro.

Para Anakeila Stauffer, diretora da EPSJV, é importante que as unidades da Fiocruz se juntem cada vez para pensar a saúde, a ciência, a tecnologia e a formação. “Poder reunir diferentes vozes para pensar algo que pode nos possibilitar tornar nossa ciência cada vez mais aberta à população e democratizar o que nós produzimos é de fundamental importância”, ressaltou. O diretor da COC, Paulo Elian, completou: ”A gestão dos documentos dialoga com políticas de acesso aberto, repositórios institucionais e com a implementação de sistemas de informações. Esses elementos estão juntos na ideia de a instituição ter um sistema forte que garanta a gestão de sua informação, que é transformada em bem público. Esse é nosso objetivo”.

Dados x Informação

Segundo Maria da Conceição Castro, coordenadora do Sistema de Gestão de Documentos e Arquivos  (Sigda/Fiocruz), há diferenças entre dado e informação. Segundo ela, dado não possui significado relevante e não conduz a nenhuma compreensão, enquanto a informação é a ordenação e organização dos dados de forma a transmitir significado e compreensão dentro de um determinado contexto. “Dados não têm valor algum para embasar conclusões, nem respaldar decisões, é o fato em sua forma primária. Informação é o conjunto ou consolidação de dados de forma a fundamentar o conhecimento”, explicou Maria da Conceição, acrescentando: “As instituições atualmente se preocupam com a informação. Onde se considerava que apenas os dados eram suficientes, hoje o que se busca é a transformação da grande quantidade de dados existentes em informações. Elas que serão o grande subsídio dos gestores”.

A coordenadora do Sigda/Fiocruz falou ainda sobre o que são dados abertos, que, de acordo com ela, são completos, primários, acessíveis e atualizados: “Todo o conjunto de dados se torna disponível, e não somente uma parte deles, são publicados na forma coletada na fonte, e não de forma agregada ou transformada. Além disso, o dado aberto precisa ser disponibilizado em um local na internet que seja facilmente acessível”.

Pesquisa na Fiocruz

Para a arquivista Ivone Sá, do Serviço de Gestão de Documentos da COC, a Fiocruz é uma instituição centenária e que respira ciência. Na Fundação, são executados mais de mil projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, que produzem conhecimentos para o controle de doenças como Aids, malária, Chagas, tuberculose, hanseníase, sarampo, rubéola, esquistossomose, meningites e hepatites, além de outros temas ligados à saúde coletiva, entre os quais a violência, mudanças climáticas e História da Ciência. De acordo com dados de 2014, a Fiocruz somava 29 áreas de pesquisas, em  271 linhas de pesquisa e mais de cem laboratórios. “Nas práticas de pesquisas geram-se os dados científicos em saúde. Num primeiro momento, precisamos ultrapassar os muros dos arquivos, sair dos depósitos, e adentrar nos laboratórios e outros ambientes que produzam esses tipos de dados. Estabelecer parcerias com pesquisadores e apresentarmos nossas habilidades e competências”, ressaltou Ivone.

Segundo a arquivista, os dados científicos resultantes de uma determinada atividade de pesquisa, também podem ser considerados documentos arquivísticos. “Essa documentação deve receber, desde a sua concepção, um tratamento arquivístico, para que o pesquisador colete os dados de sua pesquisa da forma correta”, explicou.

“O fato de essa comunidade científica estar se mobilizando e questionando o papel do arquivista, enquanto suas competências e do próprio entendimento do documento de arquivo como fonte primária, já agrega algo novo nessa discussão”, disse Paula Xavier, Coordenadora de Informação e Comunicação da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz.

Paula destacou também a Política de Acesso Aberto da Fiocruz, que visa disponibilizar conhecimento gratuitamente, e reafirmou o compromisso institucional com a democratização do conhecimento e do acesso à informação científica. Entre as iniciativas da Fundação, Paula ressaltou o Repositório Institucional (Arca) que, segundo ela, é o principal instrumento de realização dessa política e tem o objetivo de reunir, hospedar, preservar, tornar disponível e dar visibilidade à produção científica da instituição.

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