Fiocruz lança o Boletim Socioepidemiológico da Covid-19 nas Favelas

Pesquisadores da EPSJV participam da iniciativa, que tem o objetivo de divulgar dados, informações e projetos desenvolvidos nas comunidades
Julia Neves - EPSJV/Fiocruz | 15/07/2020 11h57 - Atualizado em 15/07/2020 11h57

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançou nesta semana o Boletim Socioepidemiológico da Covid-19 nas Favelas, desenvolvido pela professora-pesquisadora da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), Bianca Leandro, e pelos pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), Jussara Rafael Angelo e André Périssé. O documento é uma iniciativa da Sala de Situação Covid-19 nas Favelas, vinculada ao Observatório Covid-19 da Fiocruz, e conta também com a colaboração do professor-pesquisador da EPSJV, Carlos Eduardo Batistella, e a parceria da Coordenação de Cooperação Social da Fiocruz, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) e do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz).

Segundo Bianca Leandro, o objetivo do boletim é trazer iniciativas, dados e informações que possam ser dialogados com os interlocutores locais e movimentos sociais do território. “A ideia é que sejam divulgados boletins mensais, que abordem a questão da Covid-19 nas favelas, mas por diferentes dimensões, oriundas de pesquisas de monitoramento que fazemos nas redes para destacarmos temas emergentes e das articulações com as lideranças locais”, ressalta.

Nesse sentido, no primeiro boletim, divulgado no dia 13 de julho, são apresentados dados de incidência, mortalidade e letalidade da Covid-19 na cidade do Rio de Janeiro, com destaque para as favelas. Foram levados em consideração dados oficiais do Painel da Prefeitura do Rio de Janeiro, dados populacionais obtidos no Instituto Pereira Passos (IPP) e dados dos painéis das unidades de saúde do município e do jornal comunitário Voz das Comunidades. A publicação conta também com narrativas de interlocutores do território, que, através de suas experiências de vida e trabalho em diferentes regiões da cidade, colaboraram com a produção do material. A perspectiva é que os dados, a cada edição, sejam discutidos junto a esses interlocutores sociais.

De acordo com o primeiro boletim, o baixo número de casos e óbitos registrados nos bairros com “alta e altíssima concentração de favelas” se contrapõem às taxas de letalidade nessas regiões, que chegam a ser o dobro em relação aos bairros que não têm favelas. A publicação também aponta que a Covid-19 é mais letal nos homens do que nas mulheres e que o maior percentual de óbitos entre a população negra acontece nos territórios periféricos.

Segundo Carlos Batistella, olhar para os territórios das favelas é importante uma vez que grande parte da população da favela são trabalhadores inseridos informais ou inseridos nos serviços essenciais e, por isso, apresentam menos possibilidades de cumprir o distanciamento social conforme é preconizado pela Organização Mundial da Saúde.

Para Bianca Leandro, esse trabalho é uma forma de apoiar o processo de produção de informações pelos serviços de saúde e movimentos sociais: "Além de fortalecer o uso de dados públicos, esses boletins dão visibilidade a informações de diferentes dimensões e naturezas, fomentando a capacidade de análise crítica e contextualizada da informação. O desafio é olhar de modo mais próximo para os espaços periféricos, em especial, as favelas”.

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