Projetos da EPSJV são aprovados no Inova Fiocruz

Programa visa apoiar ideias inovadoras para o sistema de saúde em todas as áreas de atuação da Fundação Oswaldo Cruz
Julia Neves - EPSJV/Fiocruz | 08/02/2019 10h27 - Atualizado em 18/02/2019 14h36

Quatro projetos de professores-pesquisadores da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) foram aprovados no Programa Fiocruz de Fomento à Inovação, o Inova Fiocruz. O programa, que tem como objetivo incentivar a transferência para a sociedade do conhecimento gerado em todas as áreas de atuação da Fundação, conta com quatro editais: Ideias Inovadoras, Geração de Conhecimento, Geração de Conhecimento - Novos Talentos e Produtos Inovadores. Entre cerca de 400 projetos aprovados em toda a Fiocruz, os quatro estudos submetidos e selecionados da EPSJV/Fiocruz englobam temas como Atenção Primária em Saúde, câncer atribuível à ocupação, gestão do conhecimento para arboviroses e Sistemas de Informação em Saúde.

O professor-pesquisador Raphael Guimarães teve dois projetos aprovados. Um deles foi o ‘Centro Colaborador em Análises de Situação de Saúde e Atenção Primária no Município do Rio de Janeiro’, no edital Ideias Inovadoras, que visa criar um painel de indicadores para monitoramento da Atenção Primária no município. “A partir desse painel, poderíamos localizar as áreas técnicas prioritárias para intervenção para que seja proposto à prefeitura o desenho de pequenos inquéritos. O objetivo do projeto é montar essa estrutura inicial de painel que possa ser tocada adiante, mesmo que o projeto se encerre”, ressalta, exemplificando: “Vamos pensar que a saúde da mulher seja uma questão prioritária porque tem indicadores que são do desenvolvimento sustentável, que são mais problemáticos do ponto de vista da Vigilância ou que tenham o pior desempenho... Então, a ideia é que esse centro colaborador possa, em conjunto com outros pesquisadores convidados, desenhar inquéritos para que a prefeitura possa executar trabalho de campo para levantar informações pontuais da saúde da mulher e que não compõem esses indicadores mais globais que são pactuados na gestão”.

Outro projeto do pesquisador – ‘A fração de câncer atribuível à ocupação no Brasil‘, selecionado no edital Geração de Conhecimento – foi idealizado a partir do ‘Atlas do Câncer Relacionado ao Trabalho’, uma publicação de 2018, do Ministério da Saúde, do qual Raphael é um dos organizdores. O Atlas traz um mapeamento da mortalidade por cânceres relacionada ao trabalho, no qual foram identificados os 900 agentes com alto potencial cancerígeno mais presentes nos ambientes de trabalho e que podem ser evitados com medidas preventivas, como o uso de materiais e equipamentos. “Em 2017, eu, em conjunto com o Ministério da Saúde, já esboçávamos algumas ideias em relação à fração atribuível, uma medida que avalia o quanto teremos de impacto na redução do câncer com a implementação de políticas públicas. Em 2018, concretizamos uma etapa com a elaboração do Atlas. A proposta agora é expandir porque o Atlas foi feito para 18 localizações de câncer, mas considerando o Brasil em geral. E nós temos muita diferença regional porque as atividades produtivas, por exemplo, não são iguais entre as regiões, além da clara discrepância em relação a estrutura populacional”, aponta.

O projeto, que terá seu resultado divulgado em forma de artigos científicos ou em uma plataforma online, objetiva criar outros cenários de exposição, avaliar substâncias que são definitivamente carcinogênicas e outras que ainda são dúvidas. “Por exemplo, boa parte dos agrotóxicos não é considerada carcinogênica, embora a gente saiba que eles são claramente um problema de saúde pública. Existe uma portaria do Ministério da Saúde que diz que agrotóxicos são substâncias prioritárias para as ações de Vigilância em Saúde. Então, no projeto, precisamos incluir substâncias que são potencialmente carcinogênicas e discutir cenários diferentes para estimar a exposição para a população em geral e para a população economicamente ativa”.

Arboviroses

Também no edital Geração de Conhecimento foi selecionado o ‘Estudo de gestão do conhecimento e prospecção para arboviroses e doenças correlatas’, do professor-pesquisador Márcio Sacramento. O estudo se baseia em desenvolver um modelo de gestão do conhecimento e das inovações de ciência e tecnologia que abrangem a área de Vigilância em Saúde para arboviroses, como zica, febre amarela, dengue e chikungunya, na perspectiva de agir de forma crítica sobre eventos relacionados à emergência da saúde pública no país. “O projeto busca mapear tendências científico-tecnológicas das inovações e dos conhecimentos produzidos na área da Vigilância em Saúde, fornecendo uma visão do perfil da Ciência na prevenção das arboviroses, assim como suas relações com as demais questões das doenças correlatas, para servir de instrumento de suporte à tomada de decisões políticas e de investimentos de impacto em longo prazo nessa questão”, destaca Márcio.

Gestão da informação

Ana Reis, professora-pesquisadora da EPSJV/Fiocruz, foi selecionada para participar do edital Geração de Conhecimento – Novos Talentos com o projeto ‘Avaliação da Implantação do e-SUS-AB no município de Piraí, Estado do Rio de Janeiro’. O objetivo do estudo é acompanhar e analisar os processos de implantação do software e-SUS, uma estratégia do Ministério da Saúde de aprimorar a gestão da informação na Atenção Básica. “Iremos verificar qual foi o contexto político organizacional que favoreceu essa implantação em Piraí, analisar como eles se organizaram e o planejamento que utilizaram para fazer a informatização das unidades, como se deu o processo de capacitação dos profissionais para lidarem com o novo sistema operacional, bem como os efeitos dessa estratégia”, afirma.

A escolha de Piraí se deu, segundo Ana, porque no estado do Rio de Janeiro, foi o primeiro município que implantou em 100% das suas unidades básicas o Prontuário Eletrônico do Cidadão (Pec). Além de ser um município com 100% de cobertura da Estratégia de Saúde da Família. “Outro fator que motivou a escolha da região foi o fato de que Piraí foi escolhido pelo próprio Departamento de Atenção Básica do Mistério para ser o município piloto para testar as versões do e-SUS que ainda estão em formulação”, destaca, acrescentando que será desenvolvido nesse primeiro ano de projeto um relato de experiência.

O programa

O Inova Fiocruz é um programa idealizado pela Presidência da Fiocruz que visa apoiar ideias inovadoras para o sistema de saúde em todas as áreas de atuação da Fiocruz, buscando estimular a criatividade e a originalidade científico-tecnológica e fomentando o desenvolvimento de novas soluções para favorecer a inovação em saúde.

Os projetos podem concorrer em quatro editais: Ideias Inovadoras, que visa apoiar ideias inovadoras para o sistema de saúde pública e destina-se a todos os servidores da Fiocruz em todas as áreas de atuação da instituição; Geração de Conhecimento, no qual são selecionados projetos interdisciplinares que abordem questões relevantes para o SUS e destina-se a servidores da Fiocruz em função de pesquisa, com doutorado; Geração de Conhecimento - Novos Talentos, que busca estimular recém-doutores de forma a ampliar as competências científicas e tecnológicas em áreas estratégicas; e Produtos Inovadores, no qual são selecionados projetos já em desenvolvimento, com possibilidades concretas de geração de produtos.

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