Projetos da EPSJV são aprovados no Inova Fiocruz 2020

O edital 'Ideias e Produtos Inovadores - Covid-19 - Encomendas Estratégicas’ tem o objetivo de apoiar propostas voltadas para o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus
Julia Neves - EPSJV/Fiocruz | 27/05/2020 11h12 - Atualizado em 28/05/2020 10h30

Cinco projetos de professores-pesquisadores da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) foram aprovados no edital ‘Ideias e Produtos Inovadores - Covid-19 - Encomendas Estratégicas’ do Programa Fiocruz de Fomento à Inovação, o Inova Fiocruz, que tem como objetivo incentivar a transferência para a sociedade do conhecimento gerado em todas as áreas de atuação da Fundação. Neste ano, foram aprovados 51 projetos, de diversas unidades da Fiocruz, todos com foco no enfrentamento da pandemia de Covid-19. Os cinco projetos da EPSJV selecionados  pelo edital englobam temas como trabalho e saúde de cuidadores de pessoas idosas; estratificação de risco; monitoramento da saúde, acesso à Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e a mortalidade de técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos e psicólogos; desafios e possibilidades de atuação dos Agentes de Combate às Endemias (ACEs); e promoção da saúde e redes de afeto.

O projeto ‘Cuidando de quem cuida: educação continuada e avaliação das condições de trabalho e saúde de cuidadoras de pessoa idosa em tempos de Covid-19’, coordenado pelo professor-pesquisador Daniel Groisman é um dos selecionados no edital. Segundo ele, como a população idosa é um dos principais grupos de risco, o projeto se propõe a “cuidar de quem cuida”, ou seja; identificando necessidades, fragilidades e demandas das pessoas cuidadoras e disponibilizando materiais de caráter informativo em relação à prevenção, ao contágio, promoção da saúde e o autocuidado, entre outros temas. “Em síntese, o projeto prevê a disponibilização de um portal com materiais informativos e educativos para cuidadores, com ênfase no enfrentamento da pandemia e, além disso, fará uma pesquisa de mapeamento de condições de vida e de trabalho de cuidadores, com foco nos impactos da pandemia”, explica Daniel. Além de pesquisadores da EPSJV, o projeto conta com profissionais de outras unidades da Fiocruz - o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) e a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP) -, além de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da Associação dos Cuidadores do Estado do Rio de Janeiro (Acierj).

Estratificação de risco

O projeto ‘Estratificação de Risco para predição de contágio e letalidade pela Covid-19 em unidades da Federação Brasileiras’, coordenado pelo professor-pesquisador Raphael Mendonça, visa criar uma estratificação de risco, ou seja, determinar quem está em situação mais ou menos crítica, para a disseminação do novo coronavírus e para o potencial de letalidade que ele possa ter nos estados brasileiros. “A disseminação do vírus, como vem sendo mostrado, tem relação com a aglomeração da população, mas essa aglomeração depende de um conjunto de características sociais, como o tipo de domicílio, o tamanho das famílias e a densidade populacional”, observa.

Já o potencial de agravamento e, consequentemente, de mortalidade, segundo Raphael, depende de fatores individuais como comorbidades, tabagismo e os grupos etários de risco e tem relação com a capacidade assistencial, com a disponibilidade de leitos de UTI e de profissionais de saúde em quantidade adequada para atendimento. “Vamos criar cenários com essas características para que possamos mapear quais são os locais do Brasil que estão em situação mais crítica para a incidência da doença e quais os locais em que o estabelecimento de protocolos assistenciais unificados, como o lockdown, e o aumento da rede de terapia intensiva, são necessários mais imediatamente”, explica Raphael.

Monitoramento da saúde

O projeto ‘Monitoramento da saúde, acesso à EPIs e a mortalidade de técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos e psicólogos, no município do Rio de Janeiro em tempos de Covid-19’, coordenado pela professora-pesquisadora Mariana Nogueira, vai produzir e ampliar as informações acerca do impacto da pandemia por Covid-19 sobre a saúde de trabalhadores que estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus e que atuam em serviços públicos de saúde na atenção primária, psicossocial e hospitalar no município do Rio de Janeiro.

“O aspecto inovador do projeto é a produção de informação, sistematização e publicização de informações para a construção de um painel digital que aponte o monitoramento da saúde, acesso à Equipamentos de Proteção Individual e a mortalidade desses profissionais no município do Rio de Janeiro, com o objetivo de dar suporte em termos de informação, de vigilância da saúde do trabalhador e da gestão em saúde”, conta Mariana. A iniciativa conta com esforços de profissionais de outras unidades da Fiocruz, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), da Universidade Federal Fluminense (UFF), do Conselho Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, de Sindicatos de técnicos, além dos técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos e psicólogos.

Desafios e possibilidades de atuação dos ACEs

Foi aprovado também o projeto ‘Enfrentamento das Arboviroses na Pandemia da Covid-19: Desafios e Possibilidades de Atuação dos Agentes de Combate às Endemias (ACEs)’, coordenado pela professora-pesquisadora Gladys Miyashiro. Ela ressalta que, esses agentes, fundamentais na vigilância em saúde nos territórios da atenção primária, são os encarregados do controle do vetor e precisam de segurança adequada para a realização das visitas domiciliares. “Existem polêmicas e poucas orientações para o desenvolvimento dessa atividade, por isso, a necessidade de conhecer o processo de trabalho do ACE durante a pandemia Covid-19, pois a doença está longe do seu término e com previsão de segunda onda epidêmica. A coexistência da pandemia COVID-19 com uma epidemia de dengue seria desastrosa, colapsando ainda mais os serviços de saúde, sobretudo do SUS”, afirma. 

Segundo Gladys, o estudo tem por objetivo conhecer a opinião dos ACEs sobre o processo de trabalho desenvolvido no enfrentamento das arboviroses e a inserção no território durante a pandemia da Covid-19, visando fornecer subsídios para formas eficazes desse controle, mantendo a segurança do trabalhador. O Ministério da Saúde suspendeu a realização do 2º LIRAa (Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti) e a orientação para o ACE é realizar visita só no peridomicílio (frente, lados e fundo do quintal ou terreno). “Estamos preocupados com as favelas que não possuem abastecimento de água ou tem fornecimento intermitente, já que nesses territórios a população precisa armazenar maior quantidade de água para realizar medidas de higiene mais frequentes durante a pandemia”, destaca.

Gladys adianta que será realizado um estudo qualitativo com 30 egressos e alunos do Curso Técnico de Vigilância em Saúde (CTVISAU) da EPSJV que trabalhem em favelas, com questionários semiestruturados e grupos focais. Serão realizadas também oficinas de sistematização de informações e sugestões de protocolos de atendimento dos ACEs na Atenção Primária à Saúde. “Todas as oficinas serão realizadas de forma virtual, mas, se as condições da pandemia permitirem, poderão ser presenciais. Nesse caso, serão utilizadas as instalações da EPSJV, respeitando as recomendações sanitárias”, completa a professora-pesquisadora.

Promoção de Saúde e redes de afeto

O projeto ‘Centro de convivência virtual: promoção da saúde e redes de afeto em tempos de pandemia’, coordenado pela professora-pesquisadora Ariadna Patrícia Alvarez, nasceu a partir de um diálogo com uma usuária do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Neusa Santos Souza, no Rio de Janeiro. A ideia da ferramenta é melhorar a qualidade da saúde mental dos “conviventes”, oferecendo um espaço de encontro coletivo virtual e um canal de expressão dialógica e interação alternativo aos encontros presenciais. “É uma ferramenta para redução dos danos associados ao isolamento social, que tem impactado o público idoso e usuário da rede de atenção psicossocial que já sofrem habitualmente com falta de espaços de convivência e agora enfrentam o agravante da contra-indicação de encontros coletivos presenciais”, ressalta a professora-pesquisadora.

Ariadna diz ainda que o projeto visa fortalecer vínculos, criar novas redes afetivas, através da arte-cultura, e reduzir os danos emocionais associados ao isolamento social necessário no período da pandemia. “Ele não visa, de forma alguma, substituir o cuidado presencial dos centros de convivência, mas vem como uma medida emergencial para reduzir os danos psicossociais do isolamento necessário”, explica. O projeto conta com a parceria de profissionais do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e da Coordenação de Cooperação Social da Fiocruz, além de parceria externas, com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) – Campus Realengo, o Instituto de Psicologia da UFRJ, Centros de Convivência e Cultura de diversos municípios do Rio de Janeiro, a Acierj, entre outros parceiros.

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