EPSJV conclui curso de Educação e Agroecologia

Estudantes estão apresentando seus trabalhos de conclusão do curso, que foi realizado na Bahia
Julia Neves - EPSJV/Fiocruz | 15/10/2020 14h38 - Atualizado em 15/10/2020 14h38

Alunos do curso de especialização lato sensu em Educação e Agroecologia estão apresentando, neste mês de outubro, os trabalhos de conclusão. Em função do contexto de suspensão das atividades de ensino presenciais por conta da pandemia de Covid-19, as apresentações foram realizadas de forma remota. A formação é realizada pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) em parceria com a Escola Popular de Agroecologia e Agrofloresta Egídio Brunetto (EPAAEB). Iniciadas em janeiro de 2019, as aulas aconteceram de forma presencial na sede da EPAAEB, no município de Prado, na Bahia. Com o objetivo de contribuir para a consolidação do conhecimento e das práticas de agroecologia no baixo e extremo sul do estado da Bahia, o curso forma profissionais da educação básica que atuam nas escolas do campo da região.

Os trabalhos de conclusão abordaram temas como a educação do campo, agroecologia e a construção de hortos medicinais, o manejo agroecológico de resíduos sólidos, a formação de educadores das escolas do campo e a soberania alimentar e a educação do campo, entre outros. “As defesas estão sendo, simultaneamente, o ponto de chegada de uma caminhada coletiva e a convicção de também ser um ponto de partida para novos desafios para as professoras e professores promotores de agroecologia”, destacou o professor-pesquisador da EPSJV, Alexandre Pessoa, que coordena o curso junto com a também professora-pesquisadora Marcela Pronko.

De acordo com a professora-pesquisadora da EPSJV e uma das docentes do curso, Ingrid D’avilla, a estrutura e o funcionamento da formação teve como base a Pedagogia da Alternância, com quatro etapas de Tempo Escola e três etapas de Tempo Comunidade, potencializando a relação teoria e prática, os estudos de realidade e o colocar-se do sujeito histórico no mundo. Em ambos os tempos, foram realizados ensino, pesquisa e práticas pedagógicas diversas.

Alexandre ressaltou que, com a formação, foi possível vivenciar o trabalho camponês como a centralidade do processo pedagógico de transição agroecológica. Segundo o relato de um dos assentados, a partir da produção agroecológica, além de se libertar dos agrotóxicos, ele passou a ser dono do seu tempo. “As especificidades e potencialidades da educação do campo se deram em um processo contínuo de aprendizado da própria Coordenação Política-Pedagógica (CPP) formada por professores da EPSJV e da EPAAEB, com acompanhamento de todo o processo pedagógico e organizativo”, afirmou.

Os desafios da formação

Para Ingrid, há muitos desafios para a construção de propostas pedagógicas como a desse curso. “A formação de educadores das escolas do campo evidencia a realidade conflituosa  entre a produção agrícola convencional  hegemônica e as novas formas de produzir alimentos, trabalhar e ter saúde nessa região”, apontou.
Embora a realização de um curso, na modalidade de pós-graduação, seja uma oportunidade para consolidar as práticas e pesquisas em agroecologia nos currículos da educação do campo, Ingrid ressaltou que a iniciativa deve compor outros projetos e políticas públicas para a construção de territórios agroecológicos, o que dialoga com as missões técnicas e institucionais da EPSJV e da própria Fiocruz.

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