dengue
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11/06/2026 13h05 Entrevista
Na semana em que se comemorou o Dia Nacional da Imunização (9 de junho), o Ministério da Saúde suspendeu a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. O motivo: 42 notificações de reações adversas “raras e inesperadas”, que são consideradas “sinais de alerta” – entre elas um caso grave, que levou um paciente a ser internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), e duas mortes. Não se sabe ainda se esses efeitos foram mesmo causados pela vacina ou se são eventos independentes, que apenas aconteceram no mesmo período de tempo. Foi por princípio de precaução que o Ministério decidiu interromper temporariamente a vacinação, antes de estender para a população brasileira: pouco mais de 500 mil doses haviam sido aplicadas, primeiro como projeto-piloto em três municípios de São Paulo, Minas e Ceará, e depois em profissionais de saúde, grupo no qual ocorreram os dois óbitos. Nesta entrevista, a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Monica Levi, explica que não é nada simples tomar uma medida como essa: envolve ponderações e cálculos de relação risco-benefício complexos, que precisam priorizar a estratégia que vai proteger mais vidas. Para se ter uma ideia, vale lembrar que os 42 “sinais de alerta” identificados da vacina do Butantan contra a dengue representam apenas 0,008% do total de doses aplicadas, o que, segundo ela, significa que se o Brasil enfrentasse hoje uma “explosão” de casos e mortes por dengue como a que ocorreu em 2024, talvez a ‘sentença’ da vacina não tivesse sido a mesma. “É mais fácil tomar uma decisão de suspensão quando a doença está num cenário epidemiológico muito mais favorável”, diz, elogiando a eficiência do sistema de farmacovigilância brasileiro, que agora terá a tarefa de investigar a relação entre esses eventos adversos e o imunizante. As respostas podem demorar – e, com isso, a decisão sobre se a vacina volta ou não para o SUS, o Sistema Único de Saúde, também. Para Levi, no entanto, do ponto de vista da política de saúde, a conclusão mais clara de todo esse episódio é que o sistema de vigilância de eventos adversos brasileiro, que acompanha todas as vacinas aplicadas na população, está funcionando muito bem, obrigado. Ela destaca a importância de se manter e ganhar adesão à vacinação de crianças e adolescentes de dez a 14 anos contra a dengue – já que se trata de outro imunizante, sem nenhuma relação com o que foi suspenso e nenhum registro de óbito ou efeito adverso grave. E aconselha: “Confiar no PNI, o Programa Nacional de Imunizações, é a melhor solução”.
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