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Violência contra a mulher

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  • 13/03/2026 9h57 Entrevista

    Entre os seis ‘personagens’ do estupro coletivo que aconteceu no Rio de Janeiro e chocou o Brasil nas últimas semanas, três – dois acusados e a vítima – eram colegas de escola. Foi no ambiente escolar, por exemplo, que a jovem conheceu e se relacionou, inclusive afetivamente, com o adolescente que a atraiu para uma emboscada. Não por acaso, foi para cobrar ações pedagógicas e políticas públicas educacionais voltadas à prevenção da violência de gênero e sexual que, no dia 10 de março, estudantes, professores e membros da comunidade escolar em geral promoveram uma manifestação em frente ao Colégio Pedro II. Mas, ao contrário do que possa parecer, e apesar da gravidade desse crime em particular, esse não é um problema isolado. Um relatório sobre ataque às escolas no Brasil, produzido em 2023 por um Grupo de Trabalho instituído pelo Ministério da Educação (MEC), já apontava a misoginia – um comportamento social baseado no ódio contra meninas e mulheres – como elemento central naquele fenômeno que se começava a identificar e mapear no país. Com diagnósticos do problema e propostas de enfrentamento, o documento tratava especificamente de crimes que tinham como alvo o espaço da escola e a comunidade escolar, “um tipo razoavelmente recente de violência, com características próprias”. Mas o próprio texto afirma que “olhar somente para os ataques às escolas não é suficiente para a construção de políticas públicas eficazes no enfrentamento do problema”, defendendo que, “para isso, é necessário olhar para as outras violências que permeiam o ambiente escolar”. É com a experiência de ter sido o relator desse Grupo de Trabalho e do seu documento final que, nesta entrevista, o professor da Universidade de São Paulo (USP) e ex-coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação Daniel Cara comenta os aspectos educacionais que merecem destaque no debate sobre o caso do estupro coletivo ocorrido em Copacabana. Ele fala sobre o que pode ajudar no enfrentamento desse problema nas escolas, propõe mudanças legislativas e aponta o conservadorismo que hoje caracteriza boa parte da sociedade brasileira, com expressões no Congresso Nacional, como um obstáculo a ações mais efetivas de prevenção à violência sexual, tanto na política em geral quanto no espaço escolar. Ressaltando uma diferença de percepção em relação ao relatório sobre ataque às escolas que ele mesmo coordenou três anos atrás, Cara destaca que, embora a influência dos conteúdos que circulam nas redes sociais continue sendo muito importante nesse processo, os valores associados ao discurso de ódio contra meninas e mulheres já estão tão entranhados na sociedade que boa parte dos jovens entra em contato com eles mesmo que nunca tenham participado de comunidades da chamada ‘machosfera’.

  • 06/03/2026 8h57 Entrevista

    A história desta entrevista com a Secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, Estela Bezerra, começa na semana antes do carnaval. A partir da constatação de que os casos de assédio e violência contra a população feminina tendem a aumentar durante a ‘folia’, a ideia era divulgar a campanha ‘Se liga ou eu ligo 180’ e discutir o Pacto dos Três Poderes contra o Feminicídio, assinado em 4 de fevereiro. Por desencontros de agenda, a conversa acabou não acontecendo. Quando foi retomada, pouco tempo depois, o tema se mantinha o mesmo, mas o objetivo principal passou a ser marcar as comemorações e lutas do 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher. O que se deu entre o primeiro contato e a publicação deste texto, no entanto, foi um ‘choque de realidade’, daqueles que mostram como não faltariam ‘ganchos’ jornalísticos para discutir a violência que todos os dias vitimiza mulheres no Brasil. Nada poderia ser mais didático sobre a importância do envolvimento dos três Poderes da República no enfrentamento da violência contra as mulheres do que a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que, no final de fevereiro, absolveu um homem de 35 anos do crime de estupro, alegando que a relação que ele mantinha com uma menina de 12 anos era “consensual”. Diante da indignação coletiva, a ‘sentença’ foi revertida, mas, num novo capítulo sórdido da história que mobilizou o país, um dos desembargadores envolvidos foi afastado por denúncias de ter, ele próprio, cometido assédio sexual. E não parou por aí: a gravação desta entrevista já tinha terminado quando, no último dia de fevereiro, o Disque Denúncia tornou públicas a identidade e a fotografia de quatro homens que, junto com um menor de idade, promoveram o estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos no Rio de Janeiro. Confirmando as estatísticas segundo as quais a maior parte da violência sexual contra mulheres é promovida por pessoas conhecidas, do seu círculo afetivo, a jovem foi atraída para a ‘emboscada’ por um ex-namorado, ‘amigo’ da mesma escola. Tudo isso atravessa as análises que Estela Bezerra faz nesta entrevista, em que a secretária admite que o Brasil tem falhado na tarefa de proteger as mulheres, apesar de todos os avanços das últimas décadas. Citando as principais medidas implementadas no âmbito do Executivo, a partir da pressão dos movimentos sociais, ela defende a importância de ações que comprometam o Legislativo, o Judiciário e as instituições que ajudam a travar as batalhas culturais, como a mídia e as entidades religiosas. “O Pacto Brasil contra o Feminicídio, que propõe para as instituições tratarem de maneira central esse tema, começando a observar também a própria cultura de violência que elas instituem, é um caminho de esperança para que a gente consiga dar respostas mais efetivas”, diz.

  • 06/03/2020 13h57 Dicionário Jornalístico

    Criada na década de 1970 como conquista do movimento feminista, as delegacias da mulher no Brasil ainda são poucas, com estrutura precária e carência de profissionais especializados

  • 28/09/2017 16h57 Entrevista

    Hoje, 28 de setembro, comemora-se o Dia Mundial pela Descriminalização do Aborto. Daqui a cerca de duas semanas, outra data, que marca uma conquista concreta, também merece ser lembrada. Trata-se dos cinco anos de implantação da lei uruguaia de aborto. A legislação, sancionada pelo ex-presidente Jose Pepe Mujica no dia 17 de outubro de 2012, transformou o Uruguai no terceiro país da América Latina (depois de Cuba e México) a aprovar regras abrangentes sobre o tema. Rompendo o tabu e a resistência de setores conservadores da sociedade, a lei uruguaia salvou e salva milhares de vidas ao permitir que mulheres que decidiram interromper a gravidez recebam orientação e cuidado em serviços de saúde, quebrando o ciclo da clandestinidade, insegurança e silêncio que envolve o assunto. Nessa entrevista, o ginecologista Leonel Briozzo, que ocupou o cargo de vice-ministro da Saúde no governo Mujica, fala como foi a construção dessa nova política. Briozzo, que é professor da Universidade da República, faz um balanço dos resultados positivos.

  • 15/09/2017 11h49 Reportagem

    Vulnerabilidades das negras, trans, ribeirinhas, quilombolas, indígenas, ciganas, com deficiência e moradoras de rua, dentre tantos outros grupos femininos, são desveladas na Conferência de Saúde das Mulheres

  • 12/09/2017 11h56 Reportagem

    A explosão da população carcerária feminina no Brasil, a seletividade do sistema penal e as péssimas condições de vida às gestantes e encarceradas

  • 27/11/2015 9h00 Reportagem

    O dia 25 de novembro marca o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. Segundo Mapa da Violência 2015, número de homicídios de mulheres vem crescendo no Brasil, principalmente entre as mulheres negras. Metade dos assassinatos é cometido por familiares ou parceiros das vítimas. 

  • 01/03/2015 12h30 Entrevista

    No próximo domingo, 8 de março, o mundo comemora do Dia Internacional da Mulher. A celebração da data, no entanto, é cada vez menos vinculada às suas origens: foi em 8 de março de 1917 que dezenas de milhares de operárias russas que trabalhavam no setor de tecelagem entraram em greve denunciando, entre outras coisas, as péssimas condições de trabalho e a situação de miséria dos trabalhadores. Considerada um marco importante da mobilização que culminaria com a Revolução Russa, essa greve é mais um exemplo da relação que as primeiras organizações feministas mantinham com o movimento operário. Passados quase 100 anos, algumas correntes do movimento feminista continuam destacando as relações de trabalho como centrais para a luta das mulheres. É nessa trilha que a professora da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte Mirla Cisne define sua área de estudo e militância como “feminismo materialista”, uma abordagem que trabalha com as ideias de sexo, raça e classe de forma indissociável. Nesta entrevista, Mirla, que em 2014 lançou o livro 'Feminismo e Consciência de Classe', explica a relação entre essas perspectivas e mostra como as desigualdades de sexo e raça são funcionais para a lógica do capitalismo.

  • 15/01/2015 11h29 Dicionário Jornalístico

    Em dezembro do ano passado, Instituto Avon e Data Popular divulgaram uma pesquisa realizada com 2.046 jovens de 16 a 24 anos de todas as regiões do país, sendo 1.029 mulheres e 1.017 homens. Do total, 96% consideraram viver em uma sociedade machista. Mas, como demonstraram os resultados, grande parte ainda concorda com pressupostos associados à desigualdade de gênero: 68% desaprovam mulheres que têm relações sexuais no primeiro encontro, 80% afirmam que uma mulher não deve ficar bêbada em festas e 25% admitem pensar que mulher que usa roupa curta ou decote está ‘se oferecendo’ para os homens.

  • 10/10/2012 8h00 Reportagem

    Com falta de espaços para denúncias e de políticas públicas que contemplem particularidades, mulheres ainda lutam para ter voz e continuidade nos processos originados pelas denúncias.